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Vida Extra

A verdade sobre a odontologia

É muito menos científica e dada a procedimentos arbitrários do que pensamos

ARSH RAZIUDIN, THE ATLANTIC

Getty Images

No início do século XXI, o dentista de Terry Mitchell reformou-se. Durante algum tempo, Mitchell, um eletricista na casa dos 50 anos, deixou simplesmente de receber cuidados dentários. Mas quando um dos seus dentes do siso começou a doer, foi à procura de um novo profissional. Um conhecido recomendou-lhe John Roger Lund cujo escritório ficava a uns muito convenientes 10 minutos da casa de Mitchell, em San Jose, Califórnia. O escritório ficava num edifício de um andar com telhas de barro onde havia vários dentistas. O interior era um pouco datado, mas não desenxabido. A sala de espera era pequena e a decoração mínima: algumas plantas e fotografias, nada de peixes. Lund era um homem de meia-idade com bom aspeto. Tinha sobrancelhas arqueadas, óculos redondos e cabelo grisalho em torno de uma cara jovem. Ele era charmoso, conversador e positivo. Na altura, tanto Mitchell como Lund tinham Chevrolets Chevelle, e o amor por carros clássicos ajudou a estabelecer uma ligação.

Lund extraiu o dente sem complicações, e Mitchell começou a ir lá regularmente. Nunca teve dores nem queixas novas, mas Lund, apesar disso, encorajou muitos tratamentos adicionais. Uma pessoa normal faz uma ou duas desvitalizações durante a vida. Ao longo de sete anos, Lund fez nove a Mitchell, e colocou-lhe outras tantas coroas. O seguro de Mitchell cobria apenas uma pequena parte de cada procedimento, pelo que ele pagou do seu bolso um total de cerca de 50 mil dólares (44,8 mil euros). A quantidade e o custo dos tratamentos não o incomodaram. Não sabia que era invulgar fazer tantas desvitalizações — pensava que eram tão comuns como as restaurações. Os pagamentos foram espalhados ao longo de um período relativamente longo. E ele confiava inteiramente em Lund. Achou que se precisava dos tratamentos, mais valia fazê-los antes de as coisas ficarem piores.

Entretanto, outra das clientes de Lund estava a passar por uma experiência semelhante. Joyce Cordi, uma mulher de negócios também na casa dos 50 anos, tinha encontrado Lund através do 1-800-DENTIST. Recorda que esse serviço lhe atribuía uma excelente classificação. Quando consultou Lund pela primeira vez, em 1999, jamais tinha tido uma cárie. Pelo que sabia, os seus dentes eram perfeitamente saudáveis, embora tivesse instalado uma pequena ponte dental para corrigir uma rara anomalia congénita (nascera com um dente preso dentro de outro e tinha-os extraído). Ao fim de um ano, Lund questionava a resiliência da sua ponte e dizia-lhe que ela precisava de revitalizações e coroas.

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