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Doentes de Parkinson esperam até um ano por acompanhamento em Portugal

Existem, no nosso país, entre 18 a 20 mil doentes de Parkinson - a segunda patologia neurodegenerativa mais comum em todo o mundo, apenas superada pelo Alzheimer. Todos os anos surgem 2 mil novos diagnósticos

Getty / Fred Froese

Esta quinta-feira assinala-se o Dia Mundial da Doença de Parkinson e o panorama nacional desta patologia crónica neurodegenerativa é negro, para os 18 a 20 mil doentes portugueses. Os tempos de espera prolongados são um sinal de alerta e alguns pacientes chegam a aguardar um ano por acompanhamento médico.

“Há pessoas diagnosticadas que, após a primeira consulta de especialidade de neurologia, chegam a esperar um ano por uma consulta subsequente, o que é completamente desajustado das suas necessidades”, adverte Ana Botas, presidente da Associação Portuguesa de Doentes de Parkinson. “Há casos em que a terapéutica tem de ser ajustada em períodos de tempo muito mais curtos, por vezes até mês a mês”, frisa a dirigente desta entidade.

A responsável acrescenta que, em Portugal, “em média, um doente de Parkinson é avaliado uma vez por ano”, embora ressalve que “casos há em que encontrar a medicação adequada é uma tarefa que implica vários ajustes”. Para que não exista uma “descompensação dos doentes, provocada pela medicação”, Ana Botas enaltece a premência de “termos mais resposta disponível”.

Registam-se anualmente, em território nacional, dois mil novos casos e, por se tratar de uma enfermidade que requer um tratamento contínuo e multidisciplinar, o acompanhamento deve ser feito por especialistas de várias valências, como neurologistas, fisioterapeutas, terapeutas da fala, entre outros profissionais de saúde.

Contudo, o acesso a estes cuidados é ainda escasso e com grandes assimetrias no país”, nota Joaquim Ferreira, professor da Faculdade de Medicina de Lisboa e integrante do Conselho Científico da APDPk. “Em Portugal já há cerca de de 850 doentes tratados com um implante de estimulação cerebral profunda, uma opção de tratamento para muitos doentes em quem a medicação já não é eficaz. Felizmente, quase todos os medicamentos e mais recentes tecnologias para tratar a doença estão disponíveis. Apenas temos de garantir que todos têm acesso, em tempo útil”, conclui o neurologista.

Os sintomas mais frequentes incluem lentidão de movimentos, rigidez muscular, tremor e alteração de postura.

Um vídeo divulgado nas redes sociais partilha a história de sucesso de alguns doentes.