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Vida Extra

Quer uma “memória de elefante”? Está à distância de 10 minutos de exercício físico por dia

A Universidade da Califórnia usou dezenas de voluntários e encontrou uma relação entre a capacidade de memorizar factos e imagens e o exercício físico leve

Thanasis Zovoilis

É como música para os ouvidos: 10 minutos de exercício físico leve, que pode ser uma caminhada, yoga para principiantes ou Tai Chi, uma espécie de meditação de origem milenar que trabalha a flexibilidade e ataca o stress, tornam o cérebro mais capaz de armazenar memórias.

Cientistas da Universidade da Califórnia pediram a 36 voluntários perto dos 20 anos que fizessem alguns exercícios físicos antes de um teste de memória envolvendo objetos do dia a dia, como um cesto de piquenique. Depois repetiram o último sem o primeiro, memória sem exercício. As diferenças foram esclarecedoras: "um pequeno passeio à tarde é suficiente para ter algum benefício", disse Michael Yassa, neurocientista co-responsável pelo projeto.

O exercício foi descrito como "traiçoeiro", já que obrigou os participantes a distinguir, por exemplo, entre o último cesto de piquenique que tinham visto e outro muito parecido. A verdade é que quem mexeu o corpo foi mais capaz de os reconhecer e separar, escreveu a equipa de cientistas nos Procedimentos da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos.

A notícia é luz de esperança para pessoas mais velhas e com dificuldades de mobilidade, já que pode significar um abrandamento da perda de memória e da capacidade cognitiva. Citada pelo britânico The Guardian, a neurocientista Michelle Voss, especialista no estudo do envelhecimento do cérebro, descreveu os resultados como "intrigantes", apontando a importância das regiões trabalhadas pelo estudo "na deterioração da memória que vem com o envelhecimento".

É por isso que o passo seguinte será testar o método em idosos. "O nosso principal objetivo é desenvolver uma receita de exercícios que possa ser usada por adultos com incapacidades de mobilidade, mas que ainda assim consigam adotar um regime simples de exercício e ser capaz de, talvez, impedir o declínio cognitivo", apontou Michael Yassa.

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