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Agatha Ruiz de la Prada: “Tem de se ter cultura para se usar a minha roupa”

A mulher que pôs a moda espanhola no mapa mundial falou ao Expresso sobre alegria, tristeza, política, ambiente e feminismo. Mas também sobre o seu trabalho, a chegar agora à marca dos 40 anos. Uma conversa sem preconceitos

Alexandra Carita

Alexandra Carita

Texto

Jornalista

Ana Baião

Ana Baião

Fotografias

Fotojornalista

Ana Baião

Independente, feminista, colorida, atrevida, Agatha Ruiz de la Prada foi o rosto de Espanha nas passerelles do mundo. Foi a irreverente que se opôs ao preto e pôs em jogo um imaginário baseado na infância. Filha de um arquiteto madrileno e de uma aristocrata catalã, a “rainha da cor” cresceu entre as duas maiores cidades de Espanha e acredita apenas na união do país. Amedrontada pela crise que, diz, vai atingir ainda com maior gravidade a Espanha, olha para Portugal como um possível refúgio. Recebeu-nos em sua casa, na Castellana, em Madrid, e partilhou connosco 40 anos de carreira. Em cima da mesa esteve toda uma vida, mas também o momento atual. Falámos de arte, de cultura, de moda, de amor... e não deixámos para trás as prioridades do planeta. Antes tínhamos conversado na loja da Bordallo Pinheiro, para a qual acabou de assinar mais uma sardinha para a célebre coleção da marca. Começámos por querer saber como correu essa sua última aventura em Portugal.

Como é que foi contactada pela Bordallo Pinheiro para desenhar uma sardinha em porcelana?

Há muitos anos que sou fã da Vista Alegre e da Bordallo Pinheiro. No ano passado estive em casa da minha amiga Joana Vasconcelos, e a casa estava cheia de peças da Bordallo. Tinha muitas, mais de 40 peças grandes. No estúdio, a Joana também faz muitas coisas com a Bordallo Pinheiro, forrando as peças a croché. A verdade é que fiquei encantada. Lembro-me de antigamente, nas festas solidárias de Madrid, haver o stand das portuguesas com essa loiça. Comprei algumas, e as minhas amigas também me ofereceram outras. E darem-me um presente é das coisas mais difíceis que há, um presente de que eu goste e que use. Dos poucos presentes de que gosto são peças da Bordallo Pinheiro. E assim, pouco a pouco, não sei como, fui-me aproximando da marca. Tenho a sorte de ter uma portuguesa a trabalhar comigo como assistente. A Catarina esteve numa festa e encontrou-os. Tinha muita vontade de fazer uma sardinha, já conheço a linha também há muito tempo. De resto, trabalhei com a Bidasoa [antiga fábrica espanhola de porcelanas]. Fiz as baixelas dos palácios de Espanha, das embaixadas, e fiz um serviço de jantar que toda a gente tem, até a rainha o comprou. Trabalhei muito lá. Lembro-me de ir para a fábrica em janeiro com a minha filha Cósima, que tinha nascido em dezembro! Quando fecharam a fábrica tive um grande desgosto e fui falar com a Vista Alegre. Conheci os antigos donos, que me convidaram para almoçar e tudo. Só que, nessa altura, o chefe de produto trabalhava muito lentamente, e acabei por não fazer nada com eles. Guardei uma admiração enorme pela Vista Alegre. E agora pela Bordallo Pinheiro. E depois de me encomendarem a sardinha ainda mais. Estou muito contente.

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