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Vida Extra

Loucos por sapatilhas

Os ténis transformaram-se no último objeto de desejo. Há quem pague milhares de euros por uma edição limitada, e o sector movimenta hoje mais de 100 mil milhões de euros por ano. Anatomia de um fenómeno global que pôs as marcas de luxo a competir com as de desporto

Nelson Marques

Nelson Marques

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Jornalista

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Estamos nos últimos dias dos anos de 1980, os 90 estão mesmo ao virar do calendário. O Muro de Berlim começou a ser derrubado, Madonna lançou o seu êxito ‘Like a Prayer’, o Dalai Lama ganhou o Prémio Nobel da Paz, “Seinfeld” chegou à televisão, a internet nasceu, e poucos antecipariam então o quanto ela nos mudaria a vida. Mas, para muitos, a grande expectativa é a estreia, a 22 de dezembro, do segundo filme de “Regresso ao Futuro”, o clássico que celebrizou Michael J. Fox na pele de Marty McFly. Numa das cenas, depois de viajar até 2015, ele sai do seu Delorean e calça uns ténis (ou sapatilhas, dependendo da zona do país onde esteja a ler este texto) Nike com atacadores que se apertam automaticamente. O mundo nunca vira nada assim, mas, no quartel-general da marca desportiva, que lançara modelos icónicos como os Air Max e os Air Jordan, um best seller de todos os tempos, começava-se já a imaginar o futuro. “Falávamos de levitação magnética, de podermos caminhar no teto e nas paredes”, recorda Tinker Hatfield, vice-presidente de Design e Projetos Especiais da Nike, no segundo episódio da série documental da Netflix, “Abstrato: a Arte do Design”. “Pensei que no futuro os ténis talvez fossem inteligentes e pudessem identificar quem éramos. Que, ao calçá-los, ganhariam vida e se adaptariam ao nosso pé. Seriam os nossos ténis. Saberiam quem éramos.”

Foi uma ambição que permaneceu no domínio da ficção científica até ao início deste ano, que marca o 30º aniversário da estreia do filme. Em janeiro, depois de uma década de avanços e recuos, a Nike apresentou os tão aguardados ténis inteligentes, as Adapt BB, que se ligam a um telemóvel para se apertarem sozinhos. Era um sonho tornado realidade para muitos fãs que pagaram mais de 300 euros por um par, mas quando alguns tiveram de atualizar o software para os pôr a funcionar, o inesperado aconteceu: o sistema bloqueou, tornando-se impossível apertá-los mesmo manualmente.

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