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Quanto custa a nossa roupa? Milhares de vidas. Semana de moda consciente arranca agora em Portugal e no mundo

Que melhor momento do que o do Dia da Terra?

Artificial Photography / Unsplash

A Fashion Revolution Week, semana de sensibilização para o verdadeiro custo da roupa, tendo em vista um futuro mais sustentável, é assinalada a partir desta segunda-feira com várias atividades, em mais de 100 países, Portugal incluído. Entre segunda e domingo decorrem mais de mil iniciativas, em mais de cem países em todo o mundo, em nome de “uma indústria de moda mais justa, segura e transparente”, de acordo com informação disponível no site oficial do movimento Fashion Revolution.

Segunda, dia 22 de abril, a Casa do Impacto, em Lisboa, acolhe a iniciativa Fashion Revolution Day organizada pela GoParity, “uma plataforma de investimento em projetos de energia sustentável que promove o alargamento do acesso a oportunidades e da partilha dos benefícios gerados.” Entre as 17:00 e as 20:00, haverá debates, a exibição de um documentário e um 'swap market', mercado de troca de peças de roupa, para “sensibilizar para o problema da indústria da moda”, lê-se na página do evento disponível na página da associação Fashion Revolution, no qual é lembrado que “mais de 200 mil toneladas de roupas são deitadas fora anualmente em Portugal e o sistema de reciclagem não está preparado para o tratamento de vestuário.”

“A Fashion Revolution enquanto movimento encoraja a criar eventos Fashion Revolution. Qualquer pessoa pode ter autonomia para criar o seu evento”, explicou à Lusa a coordenadora do movimento em Portugal, Salomé Areias.

A primeira iniciativa é da responsabilidade da GoParity, mas encorajada e apoiada pela Fashion Revolution Portugal (FRP), associação sem fins lucrativos, que concentrou as suas iniciativas para sábado, no Porto e em Lisboa. Este ano, as atividades organizadas pela FRP concentram-se no sábado, entre as 10:00 e as 18:00, no Gate 76, em Lisboa, e no OPO'Lab, no Porto.

“Além das atividades que temos feito nas últimas três edições, (este ano) vamos ter uma nova: Transparency Fair”, que surgiu como "uma resposta à procura das marcas em ganhar um lugar para exibirem o seu produto e para exibirem toda a sua produção, todos os seus processos”, revelou Salomé Areias. A responsável explicou que dantes as solicitações eram mais “por parte do consumidor” e, por isso, fazia-se “um evento muito para o consumidor, para informá-lo, para sensibilizá-lo”.

Este interesse das marcas em “poderem mostrar todo o trabalho manual, o tipo de ferramentas que usam, o tipo de químicos que usam, toda essa estrutura”, “foi um 'win win' [ganha ganha]” para a FRP. “O que nós queríamos era também encorajar a transparência. Para além de toda essa informação que as marcas vão trazer, vão abrir as portas, mostrar quem faz a roupa dessas marcas, e nós vamos insistir para que revelem muito mais: todo o modelo de negócio, estrutura de custos”, referiu.

A Fashion Revolution Week foi criada pela associação britânica sem fins lucrativos Fashion Revolution, fundada após o colapso, em abril 2013, do complexo têxtil Rana Plaza, situado em Dacca, no Bangladesh, no qual morreram 1.100 trabalhadores. O Rana Plaza era um edifício com nove andares que albergava diversas unidades de confeções, onde eram fabricadas peças para várias marcas de moda, como a Benetton, a Primark ou a Mango.

Este ano, estará em destaque na Fashion Revolution Week, a nível global, “como o futuro da indústria da moda deve respeitar as pessoas e o planeta com trabalho justo e decente, proteção ambiental e igualdade de género.” “Da Austrália ao Brasil, do Uruguai ao Vietname, mais de 275 milhões de pessoas deverão participar na Fashion Revolution Week perguntando às marcas #whomademyclothes (#quemfezasminhasroupas, em português)”, refere a organização.

Além disso, a associação Fashion Revolution irá divulgar na quarta-feira a edição deste ano do Fashion Transparency Index, um 'ranking' dos níveis de transparência de 200 das maiores empresas de moda a nível mundial.

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