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“Karl Lagerfeld caminhou com a mesma velocidade que o tempo”. O depoimento ao Expresso do criador Manuel Alves

Manuel Alves considera que Karl Lagerfeld “se manifestava de uma forma muito cosmopolita, interessante” e que “era cultíssimo, com um talento extraordinário, com uma visão enorme, atento ao mundo. Nunca foi vencido pelo tempo”.

António Pedro Ferreira

“É uma pena muito grande a sua morte. O tempo é o pior inimigo do homem. Porque tem um término para ele. Mas sob o ponto vista criativo o Karl Lagerfeld caminhou com a mesma velocidade que o tempo. Ele não parou no tempo. E isso é importante", começa por dizer ao Expresso Manuel Alves, um dos criadores da marca de roupa Alves/ Gonçalves, que conta mais de 32 anos na indústria da moda.

“Para um criador, o pior é parar num determinado período e as suas ideias e talento não acompanharem a velocidade que o tempo exige. E ele soube sempre satisfazer as expectativas do mundo e o desejo das pessoas”, completa.

Sobre a modernidade que sempre fez parte da sua forma de falar, de criar, de se relacionar com os mundos, mesmo os mundos fora do seu, o criador considera que Karl Lagerfeld “se manifestava de uma forma muito cosmopolita, interessante” e que “era cultíssimo, com um talento extraordinário, com uma visão enorme, atento ao mundo. Nunca foi vencido pelo tempo.”

Manuel Alves admite que tenta seguir esse mesmo caminho: “Aliás, foi o que procurei sempre para a minha vida. Ver o mundo como é hoje e não como foi ontem, com inovação.” E foca também que o designer alemão não foi uma moda passageira, tal como não o foram as roupas que desenhou: “Recordo que o Karl é um homem com um percurso extraordinário desde os anos 50. Que ditou novas maneiras de vestir a mulher, mas também o homem. E com a Chanel atingiu o máximo, o esplendor da criação para uma marca de luxo, com um 'target' altíssimo. E ele conseguiu abranger o universo dos seus clientes. Da teenager à avó ou à bisavó, era transversal nas gerações. Embora, claro, das classes privilegiadas.”

No processo de se tornar um dos mais conhecidos, mais “copiados” criadores de sempre, Karl Lagerfeld levou uma das principais marcas do mundo a evoluir com ele. “Karl Lagerfeld conseguiu atualizar a marca Chanel. A Coco Chanel era muito fundamentalista quanto à silhueta, quanto à forma, gostava de silhuetas leves, soltas. Ela era feminina mas sem nunca explorar o lado sexual e sem grandes extravagâncias. O Karl era o contrário. Soube manter o tailleur como peça fundamental da marca Chanel mas imprimiu ao longo destes anos todos uma nova atitude, uma nova abordagem e uma nova estética de acordo com o tempo”, explica o criador. Apesar de ter sempre como público alvo pessoas com mais posses, Manuel Alves considera que Lagerfeld soube “começar a olhar mais para a rua e menos para salão.”

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