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Dino Alves sobre Lagerfeld: “É como se estas pessoas, estes grandes criadores, não morressem“

Mesmo com tantos anos de carreira, Dino Alves confessa que gostava de ter sido estagiário de Lagerfeld. “Mesmo com a idade e o percurso que já tenho gostava de ter podido estagiar durante um mês ou dois num atelier como o dele, com ele. Claro que estas coisas só se costumam fazer nos inícios de carreira, mas eu adorava ser estagiário do Lagerfeld”, diz ao Expresso.

Bernardo Mendonça

António Pedro Ferreira

O Karl é de facto uma figura que eu venerava e venero. Digo-o no tempo presente porque a obra fica. É como se estas pessoas, estes grandes criadores, não morressem. Porque deixam um registo enorme de coisas que podemos ver, admirar e consultar. E eu sempre fiquei fascinado com a capacidade que ele tinha de fazer tantas coisas ao mesmo tempo”, diz ao Expresso Dino Alves, designer de moda em nome próprio há 20 anos.

Tal como muitos outros criadores, de todas as áreas, portugueses e estrangeiros, que esta terça-feira ofereceram algumas palavras sobre Lagerfeld, também Alves se mostra fascinado pelo leque de atividades que o criador alemão conseguia conciliar na agenda: “Ele assinava tanto as criações da marca Chanel como da marca de moda italiana Fendi. E até houve uma altura em que dirigiu a criação da sua própria casa de moda homónima, e ainda se punha a fotografar. É preciso uma capacidade rara para gerir tudo isso, mesmo que se tivesse equipas a trabalhar com ele”.

E mesmo com tantos anos de carreira, confessa que gostava de ter sido estagiário de Lagerfeld. “Mesmo com a idade e o percurso que já tenho gostava de ter podido estagiar durante um mês ou dois num atelier como o dele, com ele. Claro que estas coisas só se costumam fazer nos inícios de carreira, mas eu adorava ser estagiário do Lagerfeld”.

A originalidade, aquela expectativa que sempre há em relação à próxima grande obra de um criador que nos habituou a coisas fora do comum, ainda que nem sempre estejam de acordo com o nosso gosto, Dino Alves reconhece-a em Lagerfeld como um mais nenhum outro criador. “Esperava sempre ansioso e curioso por cada desfile da Chanel. Pelo todo. E acima de tudo pela parte cénica. Era com expectativa que eu esperava para ver como ele colocava a sua roupa em cena. Custa-me pensar que quando pessoas como o Lagerfeld ou Alexander McQueen nunca mais veremos mais nenhuma obra deles...fico com uma sensação de orfandade. O que vem a seguir já não será deles, das suas ideias”, diz ao Expresso.

Sublinhando também a “generosidade” demonstrada por Lagerfeld para “chegar a uma marca como a Chanel sem se querer impor, respeitando o ADN da marca, o seu estilo, mas acrescentando um um cunho pessoal”.

E recorda um episódio, passado em Berlim. “Entrei numa loja com o seu nome. E fiquei fascinado porque a loja era só merchandising à volta da figura dele. T-shirts com a silhueta dele, bonecos pequenos a reproduzir a sua figura. Uma figura misteriosa que causava curiosidade. E ele tinha uma certa imagem, um certo ‘boneco’, que dava para caricaturar. E claro que isto ajuda a vender melhor uma marca”.

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