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Hugo Costa e a beleza do ser

No Portugal Fashion, o criador de streetwear passou a mensagem de que bonito é o interior do ser humano

Ugo Camera

Entrevistas. Umas atrás das outras. Não é bem a sua praia. Mas é o final do seu desfile no Portugal Fashion.

“Está muito calor”, diz. E estava. Mas dar entrevistas não é bem aquilo que Hugo Costa nasceu para fazer. Não porque fale mal, nada disso, mas porque aquilo onde ele está mesmo à vontade é a criar roupa. Do desenho à confeção. Há pessoas assim. Ainda bem.

Ser Hugo Costa é ser sinónimo de streetwear. É roupa que deve ser usada e que se deve gastar na rua.

A coleção que apresentou sexta-feira, dia 19, tem inspiração japonesa e quer passar uma mensagem: o feio pode tornar-se bonito. Como? Recorrendo a uma arte chamada Kintsukuroi. Peças de porcelana partidas que se voltam a unir recorrendo a uma mistura com ouro.

A moda tem destas coisas. A mensagem. A ideia. A transformação. O ficar mais bonito. Hugo é assim. A sua ideia de moda não se desfaz nas roupas que cria. Pensa mais à frente, não necessariamente para si mas para o outro. Imagina o que as pessoas poderão querer, para ficarem mais bonitas.

Diz-se que há uma diferença grande entre o ser e o parecer. Talvez haja, sim. Ou haverá, certamente que sim. Mas da mesma forma que a arte japonesa de restauro, o importante é levantar um bocado do véu e olhar para o que está por baixo. A sua roupa é assim. Uma vezes disposta em layers, de outras vezes não tanto.

Camadas de uma roupa sem género, para pessoas livres de espírito. Sem ideias pré-concebidas. Que gostam de usar assim. Porque sim. Porque é bonito. Tenha sido, ou não, restaurado a ouro.

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