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Maria de Lourdes Modesto no Concurso Tomate Coração de Boi

A gastrónoma, de 89 anos, é a homenageada do concurso deste ano

A convidada de honra do Concurso Tomate Coração de Boi do Douro deste ano será Maria de Lourdes Modesto, uma homenagem à gastrónoma, desde sempre devota deste fruto e do Douro.

A quarta edição do evento, um dos mais singulares e prestigiados do país, acontece dia 23 de Agosto, na Quinta do Ventozelo, em Ervedosa do Douro. O concurso deste ano promete ser um dos mais participados de sempre, contando com a inscrição de diversas quintas da região do Douro.

O tomate coração-de-boi não é propriamente uma espécie regulamentada, mas um conjunto de variedades cujas sementes foram passadas de geração em geração, sem sofrerem mutações genéticas artificiais. Ao contrário da maioria das espécies comercializadas, híbridos criados em laboratório para serem bonitos e consistentes, estes frutos feiosos com aparências disformes e cores diversas reproduzem-se por polinização natural e são uma espécie particularmente saborosa de dinossauro vegetal.

A par dos produtores, reúnem-se no concurso vários enólogos, jornalistas e cozinheiros de todo o país. O chef André Magalhães, do restaurante Taberna da Rua das Flores, em Lisboa, o produtor de azeite Francisco Pavão, da Casa de Santo Amaro, em Mirandela, e Jorge Raiado, salineiro de Castro Marim, serão alguns dos especialistas que marcarão presença.

As inscrições para o jantar requerem reserva e pagamento prévio de 25 euros (via email: greengrape@greengrape,pt) e é solicitado que cada participante leve uma garrafa de vinho, de preferência branco, rosé ou espumante.

O anúncio do tomate vitorioso será feito pelas 18.30, ao que se seguirá o jantar temático, com produtos regionais e vinhos das quintas concorrentes.

Divulgação

A ideia de se fazer uma “festa do tomate”, como lhe gostam de chamar os organizadores, partiu do entusiasmo de Abílio Tavares da Silva, produtor dos vinhos durienses Foz Torto e de vários hortícolas., bem como de dois amigos: Celeste Pereira, da empresa de comunicação Greengrape, e o jornalista e crítico gastronómico Edgardo Pacheco.

Na cabeça deste trio — e dos apaixonados tomateiros que anualmente lá vão — existe a convicção de que o Douro tem condições excepcionais para fazer crescer vários frutos, em particular o tomate coração de boi. “Tem a ver com o calor extremo e com as grande variações de temperatura. Acho que isso faz um tomate único”, diz Edgardo Pacheco.

Com o concurso, pretende-se também chamar a atenção para esta riqueza do Douro, terroir de muitas coisas de comer, por vezes ofuscadas pela indústria do vinho. Antigamente, as quintas do Douro eram conhecidas por terem hortas e pomares distintos, quase sempre para consumo na casa, mas muitas delas foram abandonando essa vertente. Dos citrinos às amêndoas, há diversas atracções que permanecem pouco conhecidas do grande público e que poderão ser provadas no âmbito deste festim.

A par do concurso no dia 23 de Agosto, alguns dos melhores restaurantes da região servem um prato em que o tomate é protagonista, até ao final do mês. Alguns exemplos: no DOC, em Folgosa, o chef Rui Paula apresenta uma burrata com tomate coração de boi, azeite de manjericão e favo de mel; na Toca da Raposa, em Ervedosa do Douro, há milhos com tomate e pataniscas de bacalhau; no Cais da Ferrosa, em São João da Pesqueira, por sua vez, o tomate entra numa salada poveira com peixes do Douro fritos.

O tomate volta a brilhar dia 24 de Agosto, desta feita na aldeia de Arroios, Vila Real. Quem se deslocar à capela local, a partir das 17.30, poderá provar tomates combinados com diferentes azeites e sal, bem como comprar os ditos e levá-los para casa.

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