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Vida Extra

Conversa com Dirk Niepoort: “Estou farto de beber os meus vinhos”

Aos 55 anos, permanece o endiabrado por quem têm passado importantes mudanças num Douro no qual sonhou com a produção de vinhos de mesa onde outros só concebiam Porto. Lê Tio Patinhas para descontrair, gosta de ter tempo para não fazer nada e adora a experiência de fazer novo e diferente

Esta entrevista esteve a um segundo de ficar perdida para sempre. Uns dias após a conversa com Dirk Niepoort na sua Quinta de Nápoles, foi necessário ganhar espaço no gravador. Nesse processo aparece um ficheiro com longos períodos de silêncio. De quando em vez ouvem-se pássaros. O vento. De novo o silêncio. Passam-se os minutos e mantém-se aquela quietude. No exato momento em que o dedo vai carregar no botão de “apagar”, há um sobressalto saído do subconsciente. Ao som dos pássaros associa-se a memória do olhar. Impõe-se um longe feito de montes e verde. E socalcos. Muitos socalcos. E de novo os pássaros. A eternidade que demora a descrever o segundo em que tudo isto ocorreu não retrata por inteiro o tremor e, depois, o recuo do dedo. É um instante. É a diferença entre o ser e o não ser. Acabou por ser. Pura sorte. Uns segundos depois já se ouve a voz deste homem de quem muitos dizem ter reinventado o Douro ao colocar o foco na possibilidade de produzir na região grandes vinhos de mesa. E, no entanto, sentado naquela longa mesa no exterior da Quinta de Nápoles, está longe de esgotar no vinho as suas conversas. Chega com um grande jarro de chá. Era manhã cedo. Não se esperaria vinho, mas não imaginávamos o quão importante iria ser o chá ao longo das próximas três horas. Dirk começa por oferecer chá. Bebe muito chá ao longo do dia. Um produtor de vinho apaixonado por chá só pode ser um inesperado, mas estimulante, motivo para início de conversa. Até por o chá vendido a chineses se ter transformado num novo ramo do seu negócio.

Nunca imaginei iniciar uma conversa consigo a falar de chá. Alguém que vende chá a chineses está pronto a vender tudo seja a quem for?

Essa é a velha história de vender frigoríficos na Antártida. É um bocado estanho, mas a verdade é que já vendemos para a China mais de meia tonelada de chá chinês, envelhecido em pipa de vinho do Porto durante seis meses.

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