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E o problema é… O Porto adora bolos e quer encontrar a delícia mais tripeira

Francesinhas, tripas à moda do porto, bifanas bem picantes e molhadas… E bolos? Está seco. É por isso que a cidade quer encontrar a autêntica “Delícia do Porto”. O prémio para o autor da receita vencedora é de 10 mil euros

D.R.

Quem vai ao Porto atraca num mundo de sabores únicos. A rota pelos recantos e encantos gastronómicos abre portas aos templos sacro-profanos das picantes e atrevidas francesinhas, das belas e molhadas bifanas no pão e, no altar de todas as tentações, estão ancoradas as tripas, as sagradas tripas que dão fama à cidade. Vai precisar de um estômago forte para aguentar o repasto, mas se ainda tiver espaço para uma sobremesa antes do café — ou cimbalino, se quiser… Bem, é aí que o caldo entorna.

“Eu é mais bolos”, já nos dizia Herman José. Por sua vez, Conan Osíris não quer saber da celulite e adorar bolos é o seu problema. Principalmente se estiver no Porto. É que, entre todos os doces do menu, não irá encontrar nenhum verdadeiramente “tripeiro”, ao contrário do que acontece noutras regiões, associadas a sabores mais açucarados, como as queijadas de Sintra, os doces de amêndoa do Algarve, os pastéis de Tentúgal, os de Vouzela ou ainda os ovos-moles de Aveiro. Mas a Invicta não é de se ficar e não quer perder para ninguém. E assim foi cozinhado o concurso que está à procura da “Delícia do Porto”.

A iniciativa parte da necessidade de criar e promover uma doçaria que se torne numa marca do distrito, de forma a valorizar a região tanto a nível nacional como internacional, aproveitando o apetite turístico por tudo aquilo que é “very typical”. A ideia para o evento, conta a responsável Olga Domingues ao Vida Extra, surgiu no final de 2016. “Os turistas querem sempre explorar ao máximo as características da cultura local e isso levou-me a constatar que a cidade não tem um doce tradicional”, conta a mentora da competição, que irá atribuir um prémio de 10 mil euros ao autor da receita vencedora.

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“A tradição começa hoje”, exorta Olga Domingues. A concurso foram servidas 20 propostas — provenientes de vários concelhos do distrito —, confecionadas por pastelarias, confeitarias, chefes pasteleiros ou de cozinha, bem como associações ou mesmo pessoas singulares. Todos juntos num projeto coletivo, movidos pela ambição de criar a “Delícia do Porto", entrando assim para a História da gastronomia nacional. Mas o que deve ter afinal a autêntica sobremesa tripeira?

De acordo com o regulamento do concurso, disponível em deliciadoporto.pt, a durabilidade do produto não pode nunca ser inferior a três dias, deve ser apresentado em doses individuais de 100 gramas, ser de fácil transporte e indicado para qualquer idade “Não estamos à procura de doces de manga ou abacaxi, porque são produtos que não são nossos e queremos que a Delícia reflita os sabores portuenses. Mas até o açúcar veio de outras partes do mundo, portanto também não nos podemos ficar apenas pelos ingredientes regionais”, explica a responsável, para quem o objetivo é, sobretudo, “ir ao encontro do Porto genuíno e não industrial”.

O vencedor será conhecido no dia 20 de junho, com a Grande Final a realizar-se na Âlfandega do Porto, num evento de entrada livre. O processo de seleção é democrático, ficando a decisão a cargo do júri — onde figuram os chefes Hélio Loureiro e Ljubomir Stanisic — , mas o público também terá uma palavra a dizer, com um peso de 30% no resultado final.

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“Depois de eleita a Delícia do Porto, esta irá ser produzida por várias pastelarias e estará disponível no comércio tradicional, na hotelaria, nas caves, nos cruzeiros do Douro, e um pouco por todo o distrito”, assegura Olga Domingues.

A iniciativa também ainda com uma app, a lançar brevemente, para dar a conhecer aos utilizadores todos os candidatos.

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