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Vida Extra

Sentámos o mundo à mesa. E convidamo-lo a juntar-se a nós

Depois de termos ido pelas sete partidas dar novos mundos ao mundo, chegam-nos cada vez mais sabores distantes que vão alimentando os universos gastronómicos de Lisboa e Porto

Fortunato da Câmara

Getty Images

Na esquina insuspeita, uma silenciosa fila com cerca de uma dúzia de pessoas torneia a fachada, como que descrevendo uma vírgula. O mercúrio acerca-se do centígrado 30. Já o ponto de partida do alinhamento virgular, inicia-se a partir de uma porta ainda fechada. Será apenas após o minuto trinta, às 19h30, que aqueles estoicos devotos poderão aceder ao novo templo de ramen de Lisboa, entrarem, escolherem o seu ramen, saborearem, e dizerem “amém”. E quem assim espera, deseja mesmo “que assim seja”, segundo a expressão hebraica.

A cena era improvável de ser assistida por cá, numa qualquer cidade, até há um bom par de anos. No entanto a vertente cosmopolita da restauração nacional está em notório crescendo nas principais regiões turísticas. Curioso é encontrar agora propostas de cozinha oriundas de diversos países em que os ingredientes frescos estão presentes, além da confeção de muitos dos pratos ser feita no local, e o preço final ser em muitos casos acessível por comparação com a escalada dos últimos tempos que se tem verificado nas novas aberturas de espaços de cozinha moderna.

Nas duas principais cidades portuguesas, reunimos um leque abrangente de moradas que oferecem os chamados ‘sabores do mundo’ a preços atrativos. Lisboa tem recebido uma pequena avalanche destes novos, como o Boteco da Dri, na zona do Cais do Sodré que propõe pratos típicos brasileiros, entre eles o “Picadinho carioca” e a “Feijoada”, que ganha destaque aos domingos, e além disso de petiscos como “Caldo de feijão”, “Mandioca frita”, “Sandes de pernil”, ou o popular ‘pastel de feira’ nas versões “carne / queijo / camarão”. Com as américas em pano de fundo, a Empanaderia El Pibe, que abriu inicialmente na zona do Conde Barão, tem agora porta aberta na discreta e íngreme travessa de Santa Marta, com as típicas empanadas argentinas na versão clássica (vitela, pimentos vermelhos, cebola e azeitonas verdes), mas também em múltiplas variações, que também podem ser levadas para casa congeladas, prontas a irem ao forno, entre as várias opções figuram a “Pablo Neruda” (cebola roxa, cenoura, maçã, rebentos de soja, gengibre, sementes de sésamo e molho de soja), a “Carlos Gardel” (camarão, milho, alho, malagueta e mozzarella), ou a “Astor Piazzolla” (frango, tomate, cebola, tâmaras, maçã e espinafres). A viagem pela América do Sul é complementada com “Chifles” (banana pão frita), “Ceviche”, “Lomito” ou os gulosos “Alfajores” (bolachas recheadas com doce de leite).

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