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Marlene Vieira tem “Receitas para Partilhar” consigo. E nós temos uma entrevista doce para si

Começou muito nova, depois de um encontro com a alta cozinha que nunca mais a largou. Irrequieta e avessa à rotina, Marlene Vieira sabia que queria ir para lá dos muros da aldeia onde nasceu — só não sabia onde eles iam dar. É a autora do quarto livro da coleção “Receitas para Partilhar”, oferecida aos leitores do Expresso

Tiago Miranda

Como tantos outros chefes, iniciou-se na cozinha até que sentiu o apelo de gerir um negócio próprio, que abriu em 2014, no Time Out Market, em Lisboa. Três anos depois, nascia o “Panorâmico”, em Oeiras, que também não vai ficar sem companhia — há um terceiro a caminho. Como para muitos outros chefes, foi a passagem pela televisão que espalhou o rosto de Marlene Vieira pela memória do grande público. Já se habituou, ainda que guarde um certo desconforto para entrevistas e novas aparições no grande ecrã.

Como é que lida com essa visibilidade e com a presença pública?

Nunca na minha vida me passou pela cabeça que um dia poderia estar a viver isto. Até porque quando comecei quase não havia mulheres na cozinha profissional. Eu fui muito cedo para o que me apaixonou, que foi a alta cozinha. Já contei a história, mas o meu pai distribuía carne em restaurantes perto de onde vivíamos [na Maia] e eu ia muitas vezes com ele. Houve um que me chamou a atenção por ser diferente de todos: era uma cozinha mais organizada, profissional. Os outros eram todos do meio familiar e naquele a cozinheira era formada numa escola de hotelaria, o que era raro na altura. Isto foi em 1992, tinha 12 anos. Aquele caos organizado despertou-me, era bem pensado. Aí apaixonei-me por tudo o que se passa numa cozinha, mais até do que propriamente pela comida. Tudo, tudo.

Como uma verdadeira chefe.

Exatamente. Eu na altura não sabia o que isso era. Mas apaixonei-me pelos processos, por ver o líder a organizar, por tudo o que acontecia. Há dias muito difíceis, ainda hoje fui dar aulas e correu tudo mal [Marlene leciona na Escola de Hotelaria e Turismo de Lisboa]. Há dias em que não vale a pena estar aos berros, se não os nervos só pioram. Tem que haver uma conversa depois para se ver o que correu mal.

Como é que se impõe?

Não sou de dar berros na cozinha. Quando há muito trabalho é quando estou mais calma. É uma coisa um bocado estranha. Eu já tive um chefe assim e não gosto disso, não acho que tenhamos de lidar com pessoas desequilibradas. Estar ali a insistir, mandar o prato para o lixo, não. É uma escola que vem da cozinha francesa. Eu gosto do tal caos organizado. Mas para isso cada um tem de ser muito bom individualmente.

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