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Na cozinha com Vítor Sobral, Kiko Martins e Marlene Vieira. Eles têm “Receitas para Partilhar”

Os autores da coleção “Receitas para Partilhar”, que o Expresso irá oferecer aos leitores a partir deste sábado, juntaram-se na cozinha. E contaram com a ajuda de Diana Chaves, Pedro Fernandes e Fernando Alvim

O Asiático partilha a sua luz com todos os convidados assim que a porta na Rua da Rosa se abre. É o início de uma tarde quente e este restaurante no centro de Lisboa prepara-se para abrir as suas portas a um evento gastronómico - no mínimo - original. Lá fora, um dia luminoso que entra completo em todo o restaurante. O espaço é pequeno para tantos convidados e jornalistas, mas igualmente confortável e familiar. As câmeras vão sendo todas apontadas numa única direção: a banca de trabalho dos chefes.

Aliás, por se tratar de um dia especial, os chefes não trabalharão sozinhos, mas sim com a ajuda inestimável de um amigo. Cada um trouxe o seu. As duplas irão escolher uma receita presente em cada um dos seus livros - “Receitas para Partilhar” - e torná-la realidade, numa celebração animada da cozinha e da gastronomia, mas também da amizade.

Nesta segunda-feira, o Chefe Vítor Sobral partilhou a sua receita de “Petiscadas” com Diana Chaves; o Chefe Kiko contou com a ajuda de Pedro Fernandes para uma “Jantarada”, e a Chefe Marlene Vieira fez a sua “Doçaria” com a assistência de Fernando Alvim. Um evento de apresentação que não teve nenhuma Almoçarada, pois o Chefe Henrique Sá Pessoa encontra-se fora do país, mas que mesmo assim teve imenso para dar e partilhar com todos.

Foram três pratos simples, acessíveis e fáceis de cozinhar, para saborear com a família e os amigos: um pequeno “cheirinho” daquilo que os leitores do Expresso irão receber já a partir do dia 18 de maio: serão quatro livros grátis de “Receitas para Partilhar”. O primeiro terá, desde logo, a autoria de Henrique Sá Pessoa.

João Vieira Pereira, diretor do Expresso, fez as honras do evento com uma verdade absoluta: “O Expresso não é só política, não é só economia. É estar perto dos seus leitores, para oferecermos aquilo que eles querem. Sabemos cada vez mais a importância da gastronomia, e essa é também uma das nossas grandes apostas.” Uma aposta que começou a materializar-se logo nos minutos seguintes. E, como brincou o diretor do Expresso, a atriz e apresentadora Diana Chaves seria a primeira cobaia.

José Fernandes

A Petiscada

Diana encarou o desafio com um heroísmo sereno, sobretudo depois do Chefe Vítor Sobral, após umas breves explicações, ter suspirado “Tanta gente a olhar para nós…” Mas apesar de tudo, a dupla mostrou-se à plateia que os aguardava com expetativa, às mil e uma câmeras que apontavam na sua direcção, e o polvo - a “Petiscada” que abriria o menu naquela tarde - começou a ser feito. Diana Chaves, prestável na ajuda ao Chefe, disse algumas palavras certeiras, capazes de resumir bem o espírito do acto de cozinhar: “Estou a brincar, não sou grande chefe, obviamente.... Mas eu quando faço, faço com gosto…” E o “grande chefe” Vítor Sobral foi rápido a reagir e a concordar: “Isso é meio caminho andado para funcionar…”

E funcionou: Diana passou no teste da cebola marinada proposto por Pedro Fernandes (a cobaia que se seguiria) e, em menos de nada, o primeiro prato estava pronto, cumprindo a promessa dos livros: receitas fáceis e acessíveis para partilhar. Mas o polvo não ficou pronto sem uma pequena vitória patriótica: a certa altura, o Chefe Kiko, vendo o prato a ganhar vida à sua frente, afirmou com segurança que aquela era a prova de como, mais uma vez, Portugal ganhara a Espanha: tratava-se de “uma versão melhorada do Polvo à Galega”. Mais tarde, todos os presentes puderam confirmar que era verdade.

José Fernandes

A Jantarada

“Tirem lá daí as entradas que agora vamos cozinhar a sério.” A provocação inofensiva de Pedro Fernandes deu o mote para o segundo prato. Ainda com a bancada vazia, o animador de rádio desafiou o Chefe Kiko a estender a mão aberta - isto enquanto segurava uma grande grande, grande faca, bem afiada e reluzente. O Chefe Kiko não correu o risco e respondeu como faz melhor, fazendo aparecer como que por magia um frango inteiro sobre a mesa e subindo o grau de dificuldade do desafio:

Pedro Fernandes teria de desmanchar o frango. “Como é que se faz isto? Eu nunca fiz isto na vida!”, foi a sua pronta exclamação. O Chefe Kiko tinha já anunciado a receita - peitos de frango salteados com molho de ostras e legumes salteados - e por isso avançaram os dois na tarefa de “pôr os peitinhos cá fora.”

O chefe mostrou como se fazia, retirou uma das pernas do frango, e o seu parceiro amador imitou-o de forma irrepreensível, retirando a outra. Apesar de Pedro Fernandes ter exclamado que “está pronto a comer”, não estava, e o frango foi ainda cortado aos pedaços antes de ser retirado da banca e, um pouco mais longe das câmeras curiosas, passar ao tacho.

Durante os breves minutos em que a comida está sobre o fogo, dois dos convidados presentes estão do outro lado do vidro, a acompanhar com atenção a graciosidade com que o chefe Kiko Martins lança o frango para cima do tacho e o deixa cozer.

O fogo vai-se levantando e o aroma do prato começa a expandir-se pela sala, e chega ao outro lado do vidro. Entre um desses movimentos, um dos convidados exclama, escondendo a saliva: “Que bom aspeto…” O outro acena com a cabeça em concordância, e os dois ali ficam a olhar, maravilhados, enquanto o cheiro da comida pronta continua a alastrar-se pelo espaço, mesmo quando é o convidado Pedro Fernandes a fazê-la voar: a técnica é ligeiramente inferior, sim, mas o entusiasmo é o mesmo.

José Fernandes

A Doçaria

Ainda o Chefe Kiko e Pedro Fernandes atraiam as câmeras na ressaca do delicioso frango que haviam cozinhado, recolhendo os louros merecidos pelo feito, e já a Chefe Marlene Vieira limpava e preparava metodicamente a banca que era agora sua. O radialista Fernando Alvim havia chegado atrasado mas ainda muito a tempo de ajudar na missão arroz doce que Marlene Vieira iria liderar. As framboesas, que seriam usadas no fim, esperaram pacientemente que toda a magia se desenrolasse.

Logo no começo, antes de mais nada, a chefe perguntou ao seu parceiro se tinha “alguma noção de como se faz arroz doce”; Fernando Alvim deu uma resposta “mais ou menos”, mas garantiu: “Atenção, eu sei fazer arroz!” E era “mais ou menos isso”, até porque o arroz coze-se todo em água - neste caso em água abundante, explicou a chefe. Além disso, como todos os presentes ficaram a saber, tratava-se de uma sobremesa universal, feita em sítios tão distintos como a Índia ou os países árabes. E agora estava a ser feito ali, no Asiático, no centro de Lisboa, por dois amigos impecavelmente coordenados, que trabalharam de forma eficaz e divertida. A conversa foi (quase) tão boa como a sobremesa.

A chefe Marlene Vieira admitiu que adorava fazer doces em casa para os amigos, e Fernando Alvim acrescentou que “nestas alturas, apetece estar na cozinha.” E a chefe concordou: “Eu acho que estes livros do Expresso é mesmo nesse sentido. Para que as pessoas possam ter receitas para fazer com os amigos e com a família. O meu livro foi feito a pensar nesses momentos.” No fundo, momentos de trabalho de equipa e espírito de partilha que também ali se viram para finalizar aquilo a que Fernando Alvim chamou o “melhor arroz doce de sempre.”

No final, já depois da última foto de grupo no terraço, a luz do Asiático permanecia. Os pratos foram colocados na mesa, onde devem sempre estar, para serem saboreados e, sobretudo, partilhados por todos. Saboreie estas e outras “Receitas para Partilhar” a partir de dia 18 de maio, com o Expresso. Bom apetite.

COLEÇÃO RECEITAS PARA PARTILHAR

Almoçaradas, por Henrique Sá Pessoa 18 de maio

Petiscadas, por Vítor Sobral 24 de maio

Jantaradas, por Kiko Martins 1 de junho

Doçarias, por Marlene Vieira 8 de junho

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