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Estas são as confissões de Nuno Mendes, o chefe português que as estrelas britânicas adoram

O cozinheiro português que dá cartas em Londres vai assumir o seu primeiro projeto em Lisboa, no Bairro Alto Hotel, e escreveu um livro, “Lisboeta”, que é uma declaração de amor à sua cidade. Aos 45 anos, 26 dos quais passados lá fora, o homem que abriu na capital britânica restaurantes como o Viajante, o Chiltern Firehouse e o Mãos pensa no regresso a casa e deu uma extensa entrevista de vida ao Expresso

Nelson Marques

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Jornalista

Nuno Botelho

Nuno Botelho

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Fotojornalista

Nuno Botelho

Quando era miúdo, sonhava ser piloto de Fórmula 1, como o brasileiro Ayrton Senna, que viu correr muitas vezes no Autódromo do Estoril. Depois, inspirado pelo explorador francês Jacques Cousteau, optou pela Biologia Marinha, porque lhe parecia o álibi perfeito para aquilo que queria mesmo fazer: correr mundo. Foi para Miami com 19 anos, viveu depois em São Francisco, em Nova Iorque e no Novo México, viajou durante meses pela Ásia, foi para Barcelona aprender a sonhar no El Bulli e aterrou em Londres para concretizar aquele que era já o seu sonho: ter um restaurante que refletisse a sua história. Depois do Bacchus e do Loft, um supperclub na sua casa de East London, nasceu o Viajante, que conquistou uma estrela Michelin ao fim de poucos meses. Saiu de lá para abrir o Chiltern Firehouse, um dos espaços da moda na capital londrina, sempre repleto de celebridades e paparazzi. Por causa de uns rissóis de camarão, quis apresentar a cozinha portuguesa aos londrinos. Primeiro num livro, “Lisboeta” (Casa das Letras), que chega este mês a Portugal, depois num restaurante, a Taberna do Mercado, que deverá ter em breve uma nova casa. O seu espaço mais recente, o Mãos, abriu em abril com lugar para apenas 16 pessoas à volta de uma mesa. Após 26 anos lá fora, Nuno Mendes está de volta a Portugal para ser diretor criativo de food & beverage do Bairro Alto Hotel, que reabrirá portas na primavera do próximo ano, depois de uma profunda remodelação. Para já, a mudança é meramente simbólica, mas o regresso às origens não está descartado. “Talvez um dia...”

Qual é a sua primeira memória de infância?
As minhas primeiras memórias felizes são das férias na Costa da Caparica, em casa da minha avó paterna. Cresci ao pé do mar. Depois, claro, havia a comida. A minha avó era uma cozinheira incrível. Eu adorava ir para a cozinha com ela e com uma senhora que vivia lá em casa, eram as duas do Alentejo. Faziam pão, doces, muita comida alentejana... Esses sabores começaram a fazer despertar em mim a curiosidade pela gastronomia. O meu pai era farmacêutico, mas também adorava cozinhar. Quando se reformou, depois de eu abrir o Loft Project em Londres, fez um projeto muito parecido na Nicarágua, um restaurante em casa dele. Infelizmente, morreu pouco depois.

Leia a entrevista na íntegra aqui.