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Vida Extra

À descoberta do Alto Douro

Acaba de ser publicado um roteiro de passeios fora de estrada que permite descobrir os segredos da zona ribeirinha do Douro entre Freixo-de-Espada-à-Cinta e Barca d’Alva

Capa da obra

D.R.

Em 2008 Alexandre Correia, editor da revista Todo-o-Terreno, lançou mãos a um novo projecto: publicar uma sucessão de roteiros tendo como directriz os principais rios portugueses. Assim surgiram, como oportunamente referi nestas crónicas, livros referentes ao Guadiana e ao Tejo (cada um dos quais desdobrado em três volumes).

Agora o autor virou-se para uma outra região, o Alto Douro. Contudo, em vez de seguir a metodologia das duas primeiras obras que consistia em começar os itinerários no ponto onde Guadiana e Tejo entravam em Portugal, seleccionou, para efeitos do primeiro volume, a região situada entre Freixo-de-Espada-à-Cinta na margem direita e Barca d’Alva na margem contrária, ponto a partir do qual o Douro deixa de fazer fronteira entre Portugal e Espanha.

É neste território que nos propõe dois percursos: um de Freixo a Barca d’Alva e outro desta vila até à praça-forte de Almeida, situada mais a sul já em terras de Riba-Côa.

O Douro na praia fluvial da Congida (Freixo-de-Espada-à-Cinta

O Douro na praia fluvial da Congida (Freixo-de-Espada-à-Cinta

D.R.

Do Cavalinho de Mazouco a Alpajares

O primeiro passeio com 63 km de extensão (metade terra e metade asfalto) desenvolve-se na margem direita do Douro e passa por locais tão notáveis como o miradouro do Penedo Durão, a gravura rupestre conhecida como Cavalinho de Mazouco ou a lendária Calçada de Alpajares. Pelo meio, panoramas de cortar a respiração, laranjais com fruta tão doce como os do Algarve e, ocasionalmente o voo majestoso de grifos, águias e cegonhas.

Da foz do Águeda a Malpartida

O segundo com 96 km (2/3 dos quais em terra) desenvolve-se para sul de Barca d’Alva, onde o comboio não chega desde 1988 (não deixe de ver a antiga estação) bordejando algumas vezes o rio Águeda, afluente da margem esquerda que aqui conflui com o Douro e que durante um bom par de quilómetros servirá de fronteira. Pelo caminho passa-se no burgo amuralhado de Castelo Rodrigo nas aldeias de Almofala, Escarigo e Malpartida, terminando às portas de Almeida, sentinela secular desta tão disputada fronteira.

Tal como nos itinerários referidos nos livros anteriores Alexandre Correia utiliza unicamente caminhos públicos, transitáveis em qualquer época do ano e sob quaisquer condições meteorológicas (excepto cenários de catástrofe, é claro), o que faz com que não seja necessário um 4x4 puro e duro para os percorrer mas apenas um SUV, não necessariamente com tracção integral.

Troço onde as vinhas alternam com amendoais e olivais

Troço onde as vinhas alternam com amendoais e olivais

De resto na elaboração destes roteiros houve o cuidado de sugerir itinerários alternativos em asfalto e por consequência acessíveis a qualquer veículo, de forma a que os mais timoratos ou menos bem equipados não deixem de também poder fazer o gosto à vista.

Salientem-se ainda preciosas sugestões de locais para comer e dormir, indo o meu destaque pessoal para o Café-Restaurante Casa da Irene em Malpartida.

Pista de cumeada rodeada por estevas e giestas

Pista de cumeada rodeada por estevas e giestas

D.R.

Rotas Douro Dacia Duster, vol. 1, tem 70 páginas e inclui dois “road-books”. Custa 15,00 euros e pode ser encomendado enviando uma mensagem para info@revistatt.pt.

Seguir-se-ão mais dois volumes dedicados ao Douro, um referente à zona entre Castelo Rodrigo e Vila Nova de Foz Côa e o outro ao território entre esta última vila e Peso da Régua.