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Vida Extra

O cabo dos trabalhos no Cabo Creus

Um passeio ao Parque Natural do Cabo Creus (Catalunha) que se transformou numa aventura ao volante da gama crossover da Nissan quando a tempestade Glória se fez convidada

O novo Nisssan Juke, vedeta do passeio ao Cabo Creus

Pep Duran

Desde a viragem do milénio que os suv tinham começado a destronar os jipes nos mercados europeus, Portugal incluído. Em 2007 ocorreria uma segunda revolução com o lançamento do Nissan Qashqai que inaugurava a era dos crossover: abdicava praticamente de quaisquer veleidades em todo-o-tereno mas juntava o melhor de um automóvel tradicional e de um suv. Em 2010 surgia um modelo mais compacto, o Juke e três anos mais tarde o X-Trail, uma espécie Qashqai mais encorpado.

Para comemorar o sucesso destes três modelos na Península Ibérica em 2015 a Nissan começou a levar a cabo anualmente uma iniciativa a que chamou Crossover Domination. Simbolicamente a primeira partiu do centro geográfico aproximado da península, ou seja de Madrid. Seguiram-se, literalmente, os vários cantos da Ibéria: Cabo Finisterra na Galiza (vértice noroeste), Cabo Trafalgar perto de Cadiz (extremo sul), o nosso Cabo da Roca (ponto mais ocidental da Europa) e este ano o Cabo Creus, na Catalunha, ponto mais oriental.

Contudo, esta viagem viria a ter um convidado extra, a tempestade Glória que entre 21 e 23 de Janeiro devastou a Catalunha e o sul de França, causando uma dezena de mortos e muitos milhões de euros de prejuízos. Daí que a aterragem em El Prat tenha sido das mais atribuladas de que me recordo nos últimos anos: batido por ventos de 144 km/h e chuva diluviana o avião da TAP parecia de papel. Em 24 horas já tinha caído toda a chuva prevista para o trimestre e as vagas do Mediterrâneo açoitavam a marina olímpica de Barcelona, destruindo entre outras coisas a estátua feita em 1992 por Antoni Llena representando Davis e Golias.

Os três modelos circulando à beira-mar após o tempora

Os três modelos circulando à beira-mar após o tempora

Pep Duran

Não foi, portanto, fácil chegar ao Hotel Peralada em Cadaqués, já muito perto da fronteira de La Jonquera com a França.

O dia seguinte estava reservado para um passeio pelo Parque Natural de Cabo Creus, bonita área ribeirinha de 14000 hectares, onde os Pirenéus Orientais descem para o Mediterrâneo e que foi, cronologicamente falando, a primeira área protegida da Catalunha.

Entre bandeiras catalãs

A bordo da nova versão do Nissan Qashaqi aventurámo-nos, eu e o meu camarada de trabalho António Xavier do ACP, pelo meio das montanhas, entre nevoeiro, chuvadas ocasionais e uma ou outra aberta. Equipado com o novo motor 1.3 a gasolina de 140 cv não se fez rogado nas curvas e contracurvas da montanha. A travessia de várias aldeias serranas permitiu confirmar a ideia de que, pelo menos a avaliar pela profusão de bandeiras catalãs e de mensagens de apoio aos presos políticos, o independentismo é aqui mais forte do que, por exemplo, na cidade de Barcelona.

Mudámos em La Vinyeta para um Nissan X-Trail de caixa automática e tracção às quatro rodas. E em boa hora o fizemos porque se iria seguir a parte mais agreste da viagem. Primeiro subimos a serra de Rodes para leste no meio de um nevoeiro infernal. Tão infernal que nem conseguimos descortinar o bonito mosteiro beneditino de São Pedro de Rodes, começado a construir no séc. XI.

Pelo meio do nevoeiro

Foto ribeirinha da família Crossover Nissaan. No sentido da marcha, X-Trail, Qashqai e Juke

Foto ribeirinha da família Crossover Nissaan. No sentido da marcha, X-Trail, Qashqai e Juke

Pep Duran

Depois, já com alguma visibilidade, descemos para o pitoresco Porto de La Selva. A caminho do Cabo Creus, em Port Llegat o X-Trail transformou-se em tractor anfíbio descendo uma rampa de cimento que tinha sido invadida por uma torrente de água. Não sendo propriamente um jipe, portou-se à altura. Nos arredores situa-se a casa onde entre 1930 e 1982 residiu o pintor Salvador Dali mas, por motivos óbvios, não havia condições para a visita.

Felizmente a estrada estreita, sinuosa e sem saída para o Cabo Creus não tinha praticamente trânsito. Lá chegados, junto ao robusto farol situado 87 m acima do nível do mar, fomos açoitados por um vento infernal, daqueles que nos permitem inclinar para a frente, quais Torres de Pisa, sem receio de irmos parar ao meio do chão. E, a simbolizar os tempos de discórdia política aqui vividos, uma monumental senyera estrelada, bandeira independentista catalã, desfraldada num alto mastro.

Com o geralmente pacífico Mediterrâneo a parecer o Atlântico Norte, o Cabo Creus bem podia concorrer naquele dia ao título de lugar mais inóspito da Terra.

Após o almoço na adega Martin Faixó, cuja esplêndida vista o nevoeiro nos reduzia a imaginar, rumámos finalmente a Figueras para a ligação final ao aeroporto de Barcelona onde, entretanto, depois de uma dúzia de voos ter sido desviada para Madrid, as condições meteorológicas começavam a acalmar.