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Imperial para celebrar Napoleão e os Golden Globes

Na crónica ‘Sem Preço’ desta semana, a jornalista Catarina Nunes escreve sobre o champanhe que comemora os 150 anos da sua origem imperial

O Moët Impérial, champanhe oficial dos Golden Globe Awards desde 1992, convida a brindar por uma causa

O seu batismo está a 150 anos de distância do protagonismo na última edição dos Golden Globe Awards. O Moët Impérial é criado em 1869 para assinalar os 100 anos da data do nascimento de Napoleão Bonaparte. No arranque de 2020 está junto à ‘aristocracia’ de Hollywood para incentivar brindes com causas, que se querem pouco imperalistas.

Visita de Napoleão Bonaparte, em 1807, às caves da Moët, em Epernay, com Jean-Rémy Moët

Visita de Napoleão Bonaparte, em 1807, às caves da Moët, em Epernay, com Jean-Rémy Moët

A história da ligação aos Golden Globes, que dura há 28 anos, é bastante diferente daquela que liga a Moët&Chandon ao primeiro imperador de França, mas a base não é muito diferente: notoriedade e posicionamento. Na edição deste ano dos prémios de cinema, no início de janeiro, a marca de champanhe mais vendida no mundo tem direito a um lugar de destaque na passadeira vermelha, além de ser a bebida oficial da gala.

No percurso até ao salão de festas do Beverly Hilton, hotel em Los Angeles onde decorre esta 77.ª edição, são distribuídas 1500 mini garrafas de Moët Imperial. Por cada ‘Toast for a Cause’, a Moët doa mil dólares (€897) à associação de caridade escolhida pelo nomeado, o que no final da noite se traduz em 22 mil dólares (€19.700) angariados. As atrizes Patricia Arquette e Christina Applegate, por exemplo, são duas das estrelas que erguem a mini garrafa, em nome da GiveLove e dos incêndios na Austrália, globalizando o momento nas redes sociais.

A garrafa dos 150 anos (€42) está limitada a 1800 unidades em Portugal e vem com um estojo especial (€42,95)

A garrafa dos 150 anos (€42) está limitada a 1800 unidades em Portugal e vem com um estojo especial (€42,95)

Fazer-se notar à escala mundial, no século 19, tem mais a ver com imperialismo. Desde 1801, Napoleão Bonaparte mantém uma relação próxima com Jean-Rémy Moët, neto de Claude Moët, que funda a marca em 1743. O imperador é frequentador assíduo do Chateau de Saran, em Epernay, na região de Champagne, onde a família Moët faz vinho. Curiosamente, apesar da proximidade em vida, é só 48 anos depois da morte de Napoleão (em 1821) que a ‘Maison’ batiza a variedade ‘brut’ como ‘Impérial’.

Na tradução para português, a denominação que evoca a relação de Napoleão com a Moët remete para ‘imperial’. Porém, além do nome, esta cerveja vendida à pressão tem apenas o gás em comum com o champanhe. Em 1869, aproveita o rebatismo para aumentar a produção (e a exportação) do ‘brut’, que atualmente representa a esmagadora maioria do negócio da Moët. Em menores quantidades produz o Grand Vintage e o MCIII, a variedade mais exclusiva. Antes disto, em 1832, a ‘casa’passa a Moët&Chandon, quando Jean-Rémy Moët cede metade da empresa ao genro, Pierre-Gabriel Chandon de Briailles, e a outra metade ao filho, Victor Moët.

O ator Joaquim de Almeida, o primeiro ‘amigo’ da marca em Portugal, assinala a ligação com a assinatura de uma garrafa, durante a festa dos 150 anos no Pestana Carlton, em Lisboa

O ator Joaquim de Almeida, o primeiro ‘amigo’ da marca em Portugal, assinala a ligação com a assinatura de uma garrafa, durante a festa dos 150 anos no Pestana Carlton, em Lisboa

São estes 150 anos de história que a Moët assinala com o lançamento de uma garrafa comemorativa, com um design ajustado à celebração, mas cujo néctar se mantém inalterado. Pinot Noir (30%/40%), Pinot Meunier (30%/40%) e Chardonnay (20%/30%), com 50% de vinhos do próprio ano e 50% de vinhos de reserva dos dois anos anteriores, revela Séverine Gaspar, gestora de marca da Moët Hennessy Portugal.

A divisão de bebidas do grupo francês de luxo LVMH (o ‘MH’ é o acrónimo de Moët Hennessy, empresa que se funde com a Louis Vuitton em 1987) está diretamente em Portugal desde abril de 2019. Este ano coincide com as comemorações dos 150 anos do Moët Impérial, que se estendem a Portugal. Por cá, a data é assinalada em dezembro com uma festa no hotel Pestana Carlton, em Lisboa. Nesta ocasião, o ator Joaquim de Almeida assina uma garrafa da edição comemorativa, entre cerca de 250 convidados. Para já, a garrafa personalizada ainda não tem destino, mas Séverine Gaspar avança que a ideia e que seja utilizada para apoiar uma causa justa.

Kate Moss, Uma Thurman, Roger Federer (embaixador do Moët Impérial) e Natalie Portman marcam presença no evento internacional dos 150 anos, no Chateau de Saran (Epernay), em França

Kate Moss, Uma Thurman, Roger Federer (embaixador do Moët Impérial) e Natalie Portman marcam presença no evento internacional dos 150 anos, no Chateau de Saran (Epernay), em França

Joaquim de Almeida é o primeiro ‘amigo’ da marca em Portugal, coadjuvante do embaixador do Moët Impérial, Roger Federer. O tenista suíço é um dos 100 convidados no evento internacional de comemoração dos 150 anos, que acontece no ‘coração’ da marca, no Chateau de Saran, em França, propriedade onde o champanhe é produzido. Este jantar, confecionado por Yannick Alléno, chefe francês com três estrelas Michelin, representa também uma das possíveis sinergias entre as bebidas do LVMH e o grupo Belmond, recém-adquirido pelo grupo francês.

É que, os convidados vêm de Paris até Epernay a bordo do icónico comboio Orient-Express, que integra o grupo Belmond, adquirido pelo LVMH no início de 2019, o que permite elevar a deslocação ao nível da marca de champanhe, dando consistência à experiência de luxo. A modelo Kate Moss e as atrizes Uma Thurman e Natalie Portman são algumas das celebridades mais mediáticas presentes na mesa, que tem como anfitrião Bernard Arnault, CEO do grupo LVMH e o mais rico de França.

O Moët Impérial rouba o protagonismo aos atores do filme ‘The Great Gatsby’, na cena da festa de Jay Gatsby

O Moët Impérial rouba o protagonismo aos atores do filme ‘The Great Gatsby’, na cena da festa de Jay Gatsby

O champanhe, por si só, já é a bebida eleita na hora de brindar. O Moët Imperial, pelo seu reconhecimento mundial, é presença histórica nas festas e celebrações mais exclusivas. No século 19 é o fornecedor oficial da rainha Victoria e começa as entregas no Palácio de Buckingham em 1883. Nos anos 1960 é a escolha nas comemorações das vitórias automobilísticas em Le Mans e, nas décadas seguintes, marca as noites nos clubes frequentados pelo jet-set, como o Studio 54, em Nova Iorque, e o Palace 78, em Paris, por exemplo.

A ligação ao cinema começa muito anos antes da parceria com os Golden Globes. É a escolha das estrelas de Hollywood em momentos de lazer e de festa e rouba o protagonismo aos atores em filmes como o ‘The Great Gatsby’, na cena da festa de Jay Gatsby com garrafas gigantes de Moët Impérial e uma pirâmide de taças de champanhe. Até à opção por Roger Federer, aliás, a atriz Scarlett Johansson é a embaixadora, na linha de continuidade com a ‘colagem’ à sétima arte.

O wine bar do El Corte Ingles tem, desde dezembro, Moët Impérial vendido a copo

O wine bar do El Corte Ingles tem, desde dezembro, Moët Impérial vendido a copo

PHIL BOUTEFEU

Em Portugal, o ator Joaquim de Almeida faz a ligação a este universo e a Moët&Chandon escusa-se a revelar outras associações ou patrocínios. Conhecida é a presença no wine bar do El Corte Ingles desde dezembro, com o Moët Impérial vendido a copo. Não está é garantido o vislumbrar de atores ou de outras celebridades. Há o tradicional Brut Impérial e os mais sofisticados Rose Impérial, Nectar Impérial e o Ice Impérial, que podem ser harmonizados (ou não) com ostras e petiscos. A garrafa da edição limitada dos 150 anos do Brut Impérial, essa, também se encontra em exclusivo no El Corte Ingles, mas no supermercado. Afinal, no século 21 este champanhe honra a herança aristocrata, mas quer-se mais democrático.