Perfil

Vida Extra

Chegaram a Portugal os telefones da guerra EUA - China

A opinião do editor de novas tecnologias da SIC, Lourenço Medeiros. Há nova entrada do Futuro Extra

O Huawei Mate 30 Pro, representa uma das coisas mais estranhas que já vi no mundo dos telemóveis. Vou confessar já que não o experimentei, a marca sabe que não vai vender muito por cá, e deve ter um número muito limitado de aparelhos.

Mesmo assim, com base no que li e na minha experiência com a versão anterior, o 30 Pro com EMUI 10, posso dizer sem dúvida umas coisas. Ao que parece, estamos perante um excelente telefone, mesmo um dos melhores do mercado, para alguns dos que o testaram, com a melhor câmara feita em 2019.

Acresce que para estas qualidades todas têm um preço competitivo, para a gama onde está. Chega de facto aos 1099 € mas a marca ainda atira com 300€ de descontos em futuras compras. É preciso um pré-registo que mesmo assim não garante a compra.

Só que o Huawei Mate 30 é o primeiro telefone a levar com o efeito completo da guerra comercial entre os EUA e a China, passando até por acusações de espionagem à Huawei. O verdadeiro problema é o domínio comercial das futuras redes 5G, embora eu não ponha as mãos no fogo quando à transparência da tecnologia chinesa, claro.

No meio disto e de embargos e adiamentos, o facto é que este modelo é o primeiro que não pode usar os programas da Google de origem, a loja de apps, Maps, Photos por aí fora.

Com uma loja da própria Huawei e com alguns truques que nem são tão complicados assim consegue pôr a funcionar a maior parte das coisas, mas há exceções graves, ainda não vi ninguém dizer que consegue usar o WhatsApp, para mim seria impensável, e o Netflix não funciona.

Ou seja, é preciso ser um pouco geek para pôr tudo como estamos habituados a ter, e se for geek vai notar a ausência de serviços ou programas a que está habituado.

Uma pena, sobretudo porque, ao que parece e tem sido pouco falado o aparelho vem com novas capacidades de vídeo que prometem ser mesmo impressionantes, ao nível dos efeitos especiais que se faziam em estúdios profissionais há poucos anos, e as câmaras que mantêm a assinatura da Leica deixam, quem testou, rendido.

É estranho ver tanto potencial passar ao lado, pelo menos enquanto durar esta guerra comercial.