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Vida Extra

Dez lugares a não perder em Portugal

Praias, paisagens, castelos, aldeias e miradouros de norte a sul de Portugal, sem esquecer as ilhas atlânticas

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Pessoalmente não sou grande simpatizante da fórmula, de resto vulgarizada e degradada até mais não na internet, de fazer listas ordenadas das três, cinco ou dez melhores coisas deste mundo. Este tipo de escolhas, por mais fundamentadas que sejam, corre sempre o risco de se revelar subjectivo ou redutor. Ainda assim e como estamos em princípio de ano, resolvi, uma vez sem exemplo, brindar-vos com dez sítios onde, de facto, merece as pena ir, nem que seja uma vez na vida.

Aldeia da Pena

Aldeia da Pena

Aldeia da Pena

D.R.

Desde logo, convém desfazer uma ambiguidade. Com este nome há dois povoados dignos de nota, a Pena de Góis (perto do Penedo homónimo, na serra da Lousã) e a Pena de São Pedro do Sul, na serra da Gralheira). Tendo que escolher, inclino-me para esta última: uma aldeia em xisto que parece de brinquedo, situada no fundo de um vale muito apertado e que só há poucos anos teve honras de acesso rodoviário. Antes disso “os mortos matavam os vivos”, ou seja se morria alguém era o cabo dos trabalhos para tirar o corpo lá de baixo. O microclima faz deste lugar um jardim botânico em miniatura.

Aldeia e passadiços de Sistelo

Passadiços de Sistelo

Passadiços de Sistelo

D.R.

Já falei deste pitoresco aglomerado minhoto nestas crónicas mas recordo-vos que se trata de uma aldeia serrana no alto Vez (a meia hora de carro de Arcos de Valdevez pela N202-2), à volta da qual está marcada no terreno uma dezena de passeios pedestres, a começar pelo que se desenvolve pelos passadiços construídos nas margens do Vez, sendo também possível acompanhar o curso do rio até à confluência com o Lima, em Jolda de São Paio, não muito longe de Ponte da Barca.

Castelo de Algoso

Castelo de Algoso

Castelo de Algoso

D.R.

Talvez o mais cenográfico dos castelos portugueses, remetendo-nos para a atmosfera dos romances de Walter Scott, pois nada fica a dever as fortificações medievais da Escócia. Fica em Trás-os-Montes, a sul de Vimioso. Erguido no topo do Cabeço da Penenciada, à altitude de 681 metros, é rodeado pelos profundos vales dos rios Angueira e das Maçãs que confluem nas proximidades. Dali se conseguem identificar alguns pontos do planalto transmontano como Vimioso e Outeiro para norte, ou Penas Roias e Mogadouro, para sul.

Fortaleza de Valença

Fortaleza de Valença

Fortaleza de Valença

D.R.

Esta praça-forte minhota não é apenas uma jóia da arquitectura militar setecentista, o que já não seria pouco. Do alto das muralhas pode apreciar-se uma vista sem igual sobre o vale do rio Minho com as torres e o casario da galega Tuy mesmo ali ao lado. E o perímetro fortificado ainda contém um emaranhado de lojas coloridas, feitas a pensar nos visitantes da outra margem mas não só.

Lagoa das Sete Cidades

Lagoa das Sete Cidades

Lagoa das Sete Cidades

PATRICIA DE MELO MOREIRA / Getty Images

Um prodígio da natureza que merece muito mais que uma fotografia tirada à pressa do Miradouro de Vista de Rei. Uma dupla lagoa ocupando o fundo da cratera de um vulcão extinto, situada na parte ocidental da ilha açoriana de São Miguel. Se gosta de andar a pé, tente percorrer a canada (caminho de terra) que contorna a maior parte da lagoa à cota alta.

Miradouro de São Leonardo da Galafura

Miradouro de São Pedro da Galafura

Miradouro de São Pedro da Galafura

D.R.

Não é o único local com vistas deslumbrantes sobre o Douro Vinhateiro Património da Humanidade mas se houvesse que escolher um único, este estaria na primeira posição. Situa-se na margem direita do Douro, sendo acessível através de um ramal que deriva da estrada velha da Régua para Vila Real (N313-2). Inspirou Miguel Torga que aqui passava frequentemente nas suas caminhadas serranas. Escreveu sobre esta vista: “não é um panorama que os olhos contemplam: é um excesso de natureza”.

Passadiços do Paiva

Passadiços do Paiva

Passadiços do Paiva

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O maior, mais conhecido e mais frequentado dos passeios ribeirinhos portugueses, ao ponto de ser obrigatório reservar e comprar bilhete pela internet. Uma caminhada cheia de altos e baixos de 8 km que, na pior das hipóteses, se faz em três horas. Há parques de estacionamento nos dois extremos do percurso e táxis sempre disponíveis e de preço tabelado para nos reconduzir ao ponto de partida. De Areinho para Espiunca, ou seja a favor da corrente (opção que recomendo), o trajecto é predominantemente a descer, embora com uma excepção importante. Cerca de 400 m a jusante do ponto de partida (a praia fluvial do Areinho), logo após cruzar o asfalto à entrada de uma ponte, vai encontrar uma escadaria monumental em madeira que equivale à subida de um prédio de 30 andares.

Praia da Bordeira/Carrapateira

Praia da Bordeira

Praia da Bordeira

D.R.

Situada a sul de Aljezur, tem à beira-mar as mais marroquinas e policromas dunas da costa portuguesa. Um paraíso natural onde se consegue estar sossegado a olhar para o rebentar das ondas e o voo das gaivotas, coisa que mesmo na Costa Vicentina já começa a ser rara.

Praia da Ilha do Pessegueiro

Praia da Ilha do Pessegueiro

Praia da Ilha do Pessegueiro

Leisa Tyler / Getty Images

Tornou-se um pouco num lugar-comum desde que, em 1987, Rui Veloso compôs “Porto Covo”. Ainda assim, resume tão bem a Costa Vicentina como a ilha de São Miguel o faz para o arquipélago açoriano. Uma fortaleza marítima protegendo uma baía, uma praia acolhedora e, mesmo em frente, uma ilha rochosa que, vista de longe, parece um monstro pré-histórico petrificado. Os melhores pores-do-sol desta costa e idêntica classificação para o “gin” e as caldeiradas do restaurante “A Ilha”.

Porto Pim

Porto Pim

Porto Pim

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Para sul da cidade e da doca de recreio da Horta, na ilha açoriana do Faial, protegida pelo Monte da Guia fica Porto Pim, acolhedora baía com uma das raras praias de areia branca (em geral é negra por ser basáltica) e com um declive tão suave que, uma vez na água, mais depressa nos cansamos do que perdemos o pé. De um lado as casas e armazéns da família de John Dabney, empresário que foi cônsul dos Estados Unidos e deixou marca aqui e noutras ilhas e, do outro lado, as pitorescas casinhas de pescadores e mareantes. Logo nos imaginamos de visita às páginas de “Mulher de Porto Pim” de António Tabbuchi.