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O Natal é sobre nascimento: respeito pela gravidez!

A crónica da atriz Mia Tomé, “Miallennial”, sempre ao sábado, no Vida Extra

Prakasit Kitilapo / EyeEm / Getty Images

O Natal, entre várias coisas, é sobre o nascimento. O nascimento que, aos meus olhos, é das coisas mais bonitas que este mundo tem, assim como todo o fantástico mundo da gravidez. Apesar de ainda não ser mãe, sempre me fascinou esse super poder feminino, essa capacidade bela que um útero tem de acolher um novo ser-humano.

Estar grávida não é doença, estar grávida não deveria em nenhum momento ser causa de despedimento de uma mulher. Quantas histórias já ouvimos sobre mulheres que perderam os seus trabalhos? E, atenção, não falo em casos de exceções quando existe uma gravidez de risco, que devido a questões de saúde é necessário parar. Não! Eu falo de casos completamente retrógrados em que a mulher, mais uma vez ao longo da história, é injustamente posta de parte como se servisse apenas para procriar.

Ainda há dias, em conversa de camarim com uma colega de uma geração mais velha, explicava-me as dificuldades que lhe colocaram no teatro, quando contou que estava grávida. Claro que já passaram alguns anos e felizmente as coisas estão a melhorar, mas ainda assim o preconceito existe e a tendência para afastar as mulheres grávidas dos seus trabalhos é muito comum. Porquê? Não consigo encontrar uma justificação que seja válida.

São várias as jovens mulheres da minha geração com quem já conversei sobre este assunto que querem ser mães, mas que vivem com receio de não poderem continuar na novela que estão a gravar, ou de permanecerem no elenco de um espetáculo. Confesso-vos que desde sempre também foi um receio meu, e nós não devíamos ter receio de nada. É a vida a acontecer como ela é!

Quero acreditar no meu país, e na caminhada que estou a fazer com as mulheres à minha volta, a lutar pela nossa igualdade e pelos nossos direitos. Porque se existe saúde e vontade em trabalhar, qual é o problema? A maravilhosa Lena Headey, que interpretou Cersei na quinta temporada de Game of Thrones, estava grávida de cinco meses. A Sarah Jessica Parker também na quinta temporada de Sex of the city e de ventre prendado levou as filmagens até ao fim. E a Helena Bonham Carter? Num dos papéis mais marcantes da sua carreira, em Sweeney Todd, estava grávida. Uma das protagonista de Chicago, Catherine Zeta Jones, estava de três meses quando interpretou a soberba Velma Kelly. Queremos um exemplo nacional? A Capicua gravou o seu último disco durante a sua gravidez, e pouco depois do parto, já estava a encher salas para concertos.

Já que estamos quase no Natal e o fim do ano se aproxima, podemos pensar sobre este assunto de uma forma consciente? Os direitos para as grávidas têm de ser repensados. A forma como a sociedade (por vezes machista) olha para elas também. Há lá época mais bonita para nos ajudar a refletir sobre assunto?