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Vida Extra

Vai querer trazer para casa estes produtos das casas-de-banho dos hotéis

Na crónica Sem Preço desta semana, a jornalista Catarina Nunes conta como o código postal de Castro Marim se transforma em cosmética que celebra um ecossistema

A vocação da Serra do Caldeirão para produção de perfumes e aromaterapia remonta à época dos romanos e traduz-se na presença de alambiques na região

D.R.

8950, por si só, é um mero número. Para os residentes em Castro Marim, oito mil novecentos e cinquenta é o código postal do município colado à fronteira algarvia com Espanha. Para Eglantina Monteiro, este número é a materialização do ecossistema local (e a solução de um problema), através de uma linha de produtos de higiene pessoal, que celebra a diversidade do algarve serrano.

É preciso recuar no percurso desta antropóloga, que vive aqui há 25 anos em Castro Marim, para apanhar o fio da história da 8950. Em 2008, Eglantina Monteiro inaugura a Companhia das Culturas, um ecoturismo sustentável e orgânico, próximo da Reserva Natural de Castro Marim. A unidade hoteleira é instalada numa antiga propriedade da família do marido, Francisco Palma-Dias, que nos anos 70 é o responsável pela introdução da prática do ioga em Portugal.

Eglantina Monteiro é a antropóloga/hoteleira que está por trás da criação da 8950 e da Companhia das Culturas

Eglantina Monteiro é a antropóloga/hoteleira que está por trás da criação da 8950 e da Companhia das Culturas

Sanda Pagaimo

Todo o projeto é desenvolvido com o foco no respeito pela história e ecossistema do local. Um posicionamento que não se concretiza na hora de escolher os produtos de higiene pessoal disponíveis nos quartos, por falta de oferta no mercado. Onze anos após a abertura da Companhia das Culturas, a 8950 é a resposta à necessidade de ter uma linha de amenities que respeite o contexto ecológico e de produção, em oposição às grandes multinacionais que fornecem aos hotéis este tipo de produtos.

Até a esta data, aliás, tem de ser a maior empresa mundial, a GM, a fornecer as amenities da Companhia das Culturas, com os produtos de A Nova Saboaria. A resolução do problema surge de uma circunstância. A existência da Pharmaplant, um laboratório em Alcoutim que desenvolve óleos essenciais a partir da destilação de plantas, permite desenvolver a solução. Esta empresa, no entanto, não trás nada de propriamente muito novo porque a vocação da Serra do Caldeirão para produção de perfumes e aromaterapia remonta à época dos romanos e traduz-se na presença de alambiques na região.

Os frascos de 200 ml da 8950 foram desenhados por Sofia Magalhães, quer a edição especial com relevo (na foto) como os frascos em cerâmica cinza

Os frascos de 200 ml da 8950 foram desenhados por Sofia Magalhães, quer a edição especial com relevo (na foto) como os frascos em cerâmica cinza

Sanda Pagaimo

Estão criadas as condições para criar produtos com matérias-primas 100% nacionais e naturais, que respeitam a terra e correspondem ao critério de localização. A 8950 começa com o aroma que traduz o ecossistema local e o ‘cheiro a Algarve’. Alfaborra, esteva, murta, funcho do mar, alecrim e macela são as plantas que servem de base ao perfume desenvolvido por Lourenço Lucena, o único perfumista português que é membro da Société Française des Parfumeurs.

O cheiro desta combinação está presente nos três produtos. O sabão líquido é de aloé vera e extrato de quilaia, conhecida como casca de sabão e que produz a espuma que se quer no banho. O champô leva proteína de trigo hidrolisada e glicerina vegetal, enquanto o creme de corpo é feito à base de óleo de grainha de uva e glicerina vegetal. Esta linha está disponível apenas em frascos de 200 mililitros, em suportes de parede, nas casas-de-banho dos quartos da Companhia das Culturas, mas pretende chegar a todos os hotéis.

A Companhia das Culturas, em Castro Marim, integra a lista da revista Forbes dos 10 melhores turismos rurais de Portugal

A Companhia das Culturas, em Castro Marim, integra a lista da revista Forbes dos 10 melhores turismos rurais de Portugal

Filipe Farinha

Para aqueles (como eu) que gostam de trazer para casa os frasquinhos miniatura dos hotéis, a opção é comprarem os frascos grandes e as recargas de 200 ml, na própria Companhia das Culturas ou em lojas selecionadas. Exclusivo para a venda a hotéis são a escova de dentes em bambu, a pasta dentífrica biológica (da alemã Logodent, por falta de opção no mercado nacional), o bálsamo labial com aroma de baunilha, a toca de banho de amido de milho, os cotonetes de cartão e os discos de algodão biodegradável, bem como as recargas de cinco litros.

A identidade sustentável e matriz nacional da 8950 estende-se aos invólucros dos produtos. Os frascos do sabão líquido, champô e leite de corpo são em cerâmica de Alcobaça e desenhados pela ceramista Sofia Magalhães, fundadora do atelier Caulino. O design das embalagens, em papel de algodão, é da responsabilidade de Joana Areal, também autora da identidade visual da marca. No futuro, a 8950 pretende lançar uma linha de spa, com óleos essenciais e para massagens. O cheiro da serra do Caldeirão, do Barrocal e do sistema dunar algarvios não quer descolar-se da pele.

8950

Sabão líquido, champô e creme de corpo: €28 (edição especial com relevo) €25 (frascos em cerâmica cinza) €9,60 (recargas de 200 ml)

Pontos de venda: A Vida Portuguesa, Otro Perfume Concept e Skinlife (todos em Lisboa)

(Artigo alterado a 6 de dezembro de 2019 para corrigir o nome de Joana Areal)