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Volta ao Parque Natural da Serra da Estrela

Um passeio circular pela Serra da Estrela, de Covilhã e Seia a Castelo Novo, das nascentes do Zêzere e Mondego aos Cântaros, Torre e vale glaciário de Manteigas

Parque Natural da Serra da Estrela

D.R.

Inicie este passeio na Covilhã, acessível pela auto-estrada com portagem electrónica A23. Se não conhece bem a cidade, descubra o parque urbano na zona mais baixa, os diversos elevadores (Jardim, Goldra, São João e Santo André) e a ponte pedonal sobre a Ribeira da Carpinteira que liga o centro da cidade ao bairro dos Penedos Altos (projecto do arq. Carrilho da Graça e do engº Adão Fonseca), sem esquecer o Museu dos Lanifícios (em instalações da Universidade da Beira Interior), indústria com forte tradição local.

Como estamos a entrar na época dos nevões, certifique-se, antes de iniciar a subida da serra da Estrela, do estado das estradas. A caminho das Penhas da Saúde pela N339 poderá ver a Cova da Beira de diferentes perspectivas. Nas Penhas o antigo sanatório remete para a época ainda não muito distante em que a tuberculose matava em massa e o único tratamento conhecido, na ausência dos antibióticos, era a exposição aos ares puros da serra.

Onde o Zêzere nasce

Passado o Centro de Limpeza da Neve, verá os gigantescos penedos conhecidos como Cântaros. Desça à direita para Manteigas pela N338, o que lhe permitirá ver o vale glaciário de perfil em U, através do qual corre o Zêzere que nasce no Covão da Ametade, local impossível de falhar porque a estrada descreve um apertado gancho a descer.

Vale glaciar do Zêzere

Vale glaciar do Zêzere

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Mesmo antes de entrar em Manteigas, junto aos viveiros, suba à direita para visitar a queda de água conhecida como Poço do Inferno. Atenção à estreiteza da faixa de rodagem! De regresso entre, então, em Manteigas, com algum pitoresco e onde não faltam restaurantes e hotéis. Prossiga a subida da serra, por exemplo pela via secundária devidamente assinalada que conduz à Pousada. A meio da sinuosa rampa corte à direita, direcção Covão da Ponte.

Uma capela mágica

Depois de uns minutos a subir, transporá uma crista e começará a descer para o vale do Mondego entre pinhais e prados onde poderá ver rebanhos a pastar, ou não estivéssemos na zona de produção do afamado queijo da serra. Veja o Mondego junto ao Parque de Campismo do Covão da Ponte e aproveite o estradão já asfaltado que dali parte para ver a capela da Senhora de Asse Dasse, local mágico à beira do Mondego, entre castanheiros e campos de cultura.

Covão da Ponte

Covão da Ponte

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Regresse à estrada para Gouveia (N339), passe junto à Pousada (o projecto original é do arq. Rogério de Azevedo) e prossiga serra fora, passando junto à nascente do Mondego. Gouveia é outro local acolhedor onde, entre muitas outras coisas, poderá ver o Museu da Miniatura Automóvel, onde nada falta, desde reproduções à escala de bólides da Fórmula 1 e do Mundial de Ralis, a Dinky Toys, Corgi Toys e sofisticados Teknos que viravam rodas e abriam portas.

Tome a estrada para Seia, a meia encosta, percorrendo a vertente ocidental da Serra. Na cidade diversificam-se as opções de hotelaria e restauração e entre outros locais vale a pena ver o Centro de Interpretação da Serra da Estrela, abrilhantado por diversas animações multimédia e pelo Museu do Pão, onde verá, aprenderá e poderá provar este alimento tão velho como o Homem.

Museu do Pão em Seia

Museu do Pão em Seia

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Cães sem medo

De Seia volte a subir a serra, agora de oeste para leste, na direcção da Covilhã (N339), passando no Sabugueiro, a mais alta aldeia habitada de Portugal. Uma verdadeira feira multipolar de artesanato e a quase certeza de ver ninhadas de cães da Serra da Estrela, fortes, amigáveis e capazes de resistir a tudo, dos nevoeiros gelados às alcateias de lobos.

Aldeia do Sabugueiro

Aldeia do Sabugueiro

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Do Sabugueiro para a Torre, a possibilidade de subida pode ser condicionada pela queda de neve. Atente na Lagoa Comprida, no teleférico e na zona de ski, onde nem sempre há condições para a prática deste desporto de Inverno. A Torre é outro local possível para redescobrir o artesanato local e provar queijos e enchidos.

De regresso à Covilhã, pode prolongar o passeio até à aldeia histórica de Castelo Novo (acessível pela A23), o que elevará a extensão total do passeio para perto de centena e meia de quilómetros. Calçadas, solares, casas de granito e dois monumentais chafarizes esperam-no. À volta a serra da Gardunha com as suas lendas e paisagens arrebatadoras…