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Vessel e o olhar de Pedro Maia

Pedro Maia colabora com Vessel na criação visual do seu LP. De Tokyo a Barcelona, as sensações não param de chegar

A película terá sempre um lugar especial no cinema ou nas artes plásticas, o seu processo meticuloso e o seu efeito visual eminente, serão sempre uma combinação espantosa para os amantes da imagem em movimento.

Não nego a minha pessoal paixão por objetos artísticos que por exemplo, tenham como suporte o Super8, e não nego também que ao pensar em criadores que exploram esse caminho analógico me surja de imediato o nome de Pedro Maia. Conhecemo-lo de obras como “How to become nothing”, “Mary” ou “Wasteland”. - Já expôs em Serralves, na Galeria Cinemática de Vila do Conde ou no Berlin Atonal.

As cores nos seus trabalhos são provavelmente aquilo que mais me seduz, a forma como são conjugadas e misturadas com os seus propósitos artísticos, lançam-me a sensação de que tudo está no sítio certo. Para além das Galerias e dos Festivais de cinema onde já me cruzei com os seus trabalhos, recordo-me particularmente de uma sessão na Cinemateca Portuguesa, em 2017, onde foi projetado o seu filme “Plant in my head”.

É frequente a sua colaboração com músicos, na lista estão nomes como The Legendary Tigerman ou Purple, e o efeito tem sido sempre soberbo. A mais recente colaboração aconteceu com Vessel, e é essa mesma parceria que estes dias o tem feito correr mundo. Sábado passado esteve em Tokyo e o próximo estará em Barcelona.

Sebastian Gainsborough (Vessel), produtor e compositor da eletrónica, juntou-se mais uma vez a Pedro Maia, para a cocriação visual do seu mais recente LP “Queen of golden dogs”. "Paplu (Love That Moves the Sun)" é a primeira parte da apresentação visual do disco, e inspira-se em duas obras de arte: a pintura "Les Feuilles Mortes" de Remedios Varo, e o livro de Clarice Lispector - "A Paixão Segundo o GH ”. Com imagens captadas em Portugal, e filmado em 16mm, "Paplu" segue uma mulher que explora o conceito de constante transformação, tanto em si, como na realidade à sua volta. Uma espécie de processo interno, assim como na obra de Clarice, que nos remete à transformação através da crise existencial.

Através de uma narrativa abstrata, Pedro Maia explora as sensações da dor e da felicidade, onde mais uma vez as cores do filme conseguem bem falar por si. Maia consegue retratar-nos um mundo histriónico com as emoções em estado de excesso. Uma viagem visual gloriosa, que consegue explicar e definir a qualidade a que o Pedro já nos habituou.