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Vida Extra

A grande corrida aos passadiços

É a grande moda dos últimos anos e não se limita unicamente ao rio Paiva, perto de Arouca, ainda que este itinerário seja, de longe, o mais conhecido

Escadaria de Areinho nos Passadiços do Paiva

Antigamente, concelho que se prezasse tinha que ter rotundas. Agora tem que ter passadiços. Há-os de norte a sul do país, muito embora os mais conhecidos sejam os do Paiva, aos quais já dediquei uma crónica inteira. Correm ao longo deste rio, perto de Arouca, e chegam a ser visitados por milhares de pessoas por dia, obrigando à aquisição prévia de bilhete pela internet para evitar o excesso de visitantes que tornaria esta boa ideia numa vítima do seu próprio sucesso.

Uma jóia chamada Sistelo

Ainda há pouco tempo falei também dos de Sistelo, no Alto Minho, a norte de Arcos de Valdevez. Os passadiços propriamente ditos situam-se a jusante da referida aldeia mas o trilho prolonga-se quase três dúzias de quilómetros, permitindo acompanhar sempre o curso deste afluente do Lima até à confluência com o rio principal.

Passadiço a jusante de Sistelo

Passadiço a jusante de Sistelo

Há notícias doutros passadiços no Alto Tejo (Alamal, Gavião/castelo de Belver) ou na Bacia do Vouga (Fiães, Santa Maria da Feira). Outros estão em projecto, por exemplo nas proximidades do castelo da Lousã e tudo indica que a escolhas não se irão ficar por aqui.

Entre Gaia e Espinho

Mais antiga é a ecopista Gaia-Espinho, com os seis 15 km sempre à beira-mar e incontáveis pontes de madeira sobre as linhas de água que vêm desaguar ao oceano. Um passeio a fazer pelo menos uma vez na vida e que passa junto à praia e capela do Senhor da Pedra em Miramar e nas praias da Aguda e da Granja, esta última cheia de recordações da infância de Sophia Mello Breyner nas quais a escritora se terá inspirado para escrever “A Menina do Mar”

Todos estes percursos ao longo de rios têm, para além da beleza natural, o que já não é pouco, uma característica a ter em conta quando se tratar de planear a ida: são percursos em linha (e não em anel com retorno ao ponto de partida), circunstância pela qual convém prever alguma logística. A menos que o prezado leitor esteja em tal forma física que, uma vez chegado ao fim do passeio, respire fundo e meta pés ao caminho para o fazer no sentido contrário…

Nalguns casos o problema resolve-se por si. É o caso da Ecopista de Gaia que entre Miramar e Espinho tem a Linha do Norte mesmo ali ao lado com diversas estações (Miramar, Granja e Aguda, para além de Espinho), ficando, por consequência salvaguardado o problema do regresso.

Ecopista de Gaia junto ao Senhor da Pedra

Ecopista de Gaia junto ao Senhor da Pedra

No Paiva os serviços de táxis estão tabelados e há locais nos dois extremos do itinerário onde se pode fazer fila e aguardar a vez. Se está de carro, recomendo que conduza até Espiunca e aí estacione. Meta-se então num táxi para a praia fluvial do Areinho e inicie aí a caminhada. A vantagem desta opção (a favor da corrente, ou seja de montante para jusante) é que vai andar mais a direito que a subir, excepção feita à monumental escadaria (equivalente a um prédio de 40 andares) que vai encontrar 400 m depois da partida. No final, 8 km dcpois, lá encontrará o seu belo carrinho e já não vai ter que esperar pelo táxi…

Também em Sistelo, na praça principal da aldeia junto aos painéis explicativos das diferentes rotas pedestres, há informação com os telefones dos taxistas da zona, pelo que é só combinar o ponto de recolha e a hora estimada.

A importância da logística

Resta o truque que vos referi noutra crónica a propósito dos Passadiços de Sistelo mas se aplica a qualquer outro percurso em linha, como as Levadas da Madeira onde pela primeira vez o ensaiei. Havendo várias pessoas e mais que uma viatura, a solução consiste em dividir o grupo ao meio, estacionando viaturas nos dois extremos. Os dois sub grupos partem cada qual de seu extremo do itinerário e quando se encontrarem, além de confraternizarem, trocam as chaves dos carros e desta forma todos terão transporte garantido e prático no fim da caminhada…

Divirtam-se, usem calçado e roupa apropriados e boa viagem!