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O simples é bom – Dandasana

A crónica de bem-estar de Cristina Diniz ganha nova entrada, sempre à quarta-feira, no Vida Extra

D.R.

É tão bom quando descobrimos beleza na simplicidade.

Tal como a vida, que por vezes é saborosa e simples, é só deixar fluir e aproveitar, o yoga também tem posturas básicas onde podemos repousar, respirar e espraiar. Isso não significa, porém, que não estejamos a todo o tempo presentes e com o perfeito foco no que estamos a fazer.

Dandasana é uma dessas posturas. É a postura básica sentada, e a partir daí construímos muitas outras.

Danda significa bastão ou cajado e asana significa postura física.

Ela parece fácil de fazer, mas nem sempre é fácil permanecer nela corretamente. Pretende-se o alinhamento da coluna vertebral, alongando e fortalecendo a musculatura de ambas as pernas. É como se o nosso corpo representasse um L maiúsculo. É um eixo vertical e outro horizontal.

D.R.

Como fazer a postura

Sentamo-nos no chão com as pernas alongadas, seus músculos bem ativos, os pés fletidos apontando os dedos dos pés para o teto.

Pressionar a parte de trás dos joelhos no chão, mas não tirar os calcanhares do chão, até os devemos empurrar para a frente de modo a criar comprimento nas pernas.

As pernas e pés estão unidos.

As costas estão longas, o sacro afunda e a coluna vertebral está perfeitamente direita, os ísquios bem assentes no chão.

Os braços estão esticados, junto ao tronco, com as palmas das mãos ao lado das ancas e a pressionar o chão. Dedos das mãos a apontar para a frente.

Abdómen contraído.

Subir e abrir bem o peito, cabeça direita, pescoço longo na continuidade da coluna vertebral.

Os calcanhares e os ísquios criam forças opostas, afastando-se um do outro.

Devemos retirar tensão dos ombros e criar uma boa distância entre ombros e orelhas.

O olhar repousa no horizonte.

Procura-se linhas direitas nas pernas, pés, braços e costas.

Construímos assim a nossa postura do bastão e mantemo-nos concentrados na respiração a acontecer, calma e longa, o que nos vai imediatamente relaxar. Mantemos por 5 respirações completas.

D.R.

Variações

· Podemos também construir a postura de igual modo fazendo as contrações musculares (bandhas) próprias do yoga (musculatura dos esfíncteres do ânus e da uretra, abdominal e garganta, ou seja, respetivamente múla bandha, uddiyana bandha, jalándhara bandha), deixar o queixo tombar em direção ao esterno e fixar o olhar (drishti) na ponta do nariz.

· Se for demasiado forte podemos fletir um pouco as pernas ou então mantê-las esticadas e colocar as palmas das mãos um pouco atrás das ancas.

· Se o seu corpo não permitir colocar as palmas das mãos no chão poderá usar blocos ao lado dos quadris para as apoiar.

· Se os braços forem demasiado compridos, poderá sentar-se num bloco ou manta ou flexionar os cotovelos para trás.

Advertências: Se sofrer de lesões na lombar deve fletir os joelhos ou até colocar uma manta debaixo deles. Se tem tendência a encurvar a coluna também poderá encostar-se a uma parede para obter mais apoio.

D.R.

Benefícios

· Melhora a postura;

· Constrói uma boa base para um alinhamento saudável da coluna vertebral;

· Fortalece os músculos das costas;

· Fortalece os músculos flexores do quadril;

· Tonifica as pernas;

· Tonifica os órgãos abdominais;

· Permite que o diafragma se mova livremente e que a respiração aprofunde;

· Cria bons hábitos respiratórios e consequentemente relaxa o sistema nervoso;

· Permite tomar consciência das assimetrias no nosso corpo;

· É bom para a autoestima e autoconfiança.

Pessoalmente adoro estar na postura e alimentar o meu mundo interior. Sentir que é um asana que trabalha a frontalidade acompanhada de humildade. Trabalha a retidão, a firmeza, a nossa capacidade de olhar os outros nos olhos e até de estabelecer limites e também o nosso discurso direto, franco e claro. É uma simples abertura à vida com coragem e confiança.

Boas práticas!