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O iPhone Pro 11 S 5G não foi apresentado esta semana

A crónica de Lourenço Medeiros, editor de novas tecnologias da SIC

Em palco a explicação de como o software FILMIC Pro pode usar várias câmaras do iPhone 11 Pro em simultâneo (Apple)

Nem era de esperar que a Apple o tivesse apresentado: o iPhone Pro 11 S 5G. Acho que, se está a ler isto, sabe que a Apple lançou, sim, três telefones, o iPhone 11, o 11 Pro e o 11 Pro Max. Nunca estou à espera de grandes coisas, espero sempre por baixo, que é a forma de não ficar desiludido. Acho mesmo que é normal neste mercado voraz, em que as marcas têm que lançar novos modelos todos os anos, que não possamos esperar revoluções, nunca. O que acontecem são incrementos, e um dia olhamos para trás e parece que passou uma tempestade por cima dos últimos anos. Acabei de chegar da IFA Berlin, a feira de tecnologia, e em conversa aqui na redação calhou querer mostrar imagens do primeiro hotel em que alguma vez fiquei em Berlim — uma rápida busca no Google One e pronto. As minhas fotografias do hotel, umas imagens cheias de grão, trazem-me as recordações que procurava. Claro que fui ver com o que é que tinha feito as fotos, um iPhone, nem dá para acreditar, era mesmo muito bom em 2009.

Voltando ao que interessa, o título lá de cima. A minha ideia é deixar a primeira impressão de quem ainda não pegou na máquina. Pelo que foi visto e lido, é uma grande máquina, sim. Vão dizer que todas as funções que traz como acrescentos, a super grande angular, o modo noite e por aí fora, já existiam nos melhores concorrentes, e é verdade. Também é verdade que a Apple tem o hábito pegar nestas ideias já existentes e concretizar mesmo muito bem. Podem entender a frase anterior como um elogio ou como uma crítica, o resultado é que as máquinas são boas quer se queira quer não. Mas não estou de todo a dizer que só copiam, longe disso. Há uma função discreta que vai tornar o iPhone 11 Pro indispensável para qualquer jovem repórter ou youtuber que se preze. O iPhone 11 pode gravar em simultâneo o vídeo da câmara da frente e de trás. Já estou a imaginar as muitas entrevistas que os jornalistas de iPhone em punho vão conseguir fazer incluindo o entrevistador na conversa, ou os passeios em que fazem o seu “vivo” (gíria de TV para selfie em vídeo) e mostram o cenário da reportagem onde se deslocam, isto apenas usando um telefone. Priceless. Mas por favor não contem nada à administração da SIC ;)

A fealdade das três câmaras não me preocupa minimamente, desde que os resultados sejam os que foram mostrados em palco pelos responsáveis da marca. Para ser sincero, nem é tão feio assim, ainda não vi uma forma bonita de colocar câmaras em telemóveis, são todas mais ou menos desagradáveis até nos habituarmos.

Claro que neste momento este é o melhor iPhone Sr. Cook, mas o do ano que vem promete ser muito melhor. É sempre assim, mas neste caso pode valer a pena esperar

Claro que neste momento este é o melhor iPhone Sr. Cook, mas o do ano que vem promete ser muito melhor. É sempre assim, mas neste caso pode valer a pena esperar

E afinal para si, vale a pena comprar? É a pergunta que me recuso sempre a responder, mas posso ajudar a que responda por si. A resposta começa por estar na profundidade da carteira de cada um, e na vontade de ter mesmo um iPhone, que alternativas não faltam. Caso tenha um e queira renovar, depende, este é mesmo o modelo que eu saltava. A Apple tem um ciclo habitual, lança um modelo e depois o seu aperfeiçoamento, o S, normalmente no ano seguinte. Haverá excepções, mas este é praticamente um padrão em que podemos confiar. Ao chamar PRO a este iPhone assume claramente o modelo novo, e eu esperaria por exemplo que fosse compatível com o lápis que uso no iPad PRO, ou que tivesse ligação USB-C como o iPad PRO, não por uma questão de capricho, mas para que venha a ter as capacidade de ligações e armazenamento e outros aparelhos externos que o iPad está agora a conquistar.

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Ou seja, o iPhone Pro por muito bom que seja, e apenas baseado no que foi mostrado, ficou-me a parecer ainda um aprendiz de PRO, e estou na expectativa que para o ano venha a crescer e ganhar o seu doutoramento. Sobretudo porque se este ano até me parece prematuro estar já a avançar com o 5G, parece provável, pelo andar da carruagem, que para o ano que vem o avanço da rede o torne indispensável em muitos mercados. Ou seja, a diferença que se adivinha entre este pequenino Pro, extremamente sedutor, e o adulto que promete ser um eventual iPhone Pro 11 S 5G é tão grande que eu saltaria mesmo esta geração. Mas, como sempre, posso estar enganado, ou não.

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