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Vida Extra

Atalhos na lezíria ribatejana

Alguns truques para guiar descansado, fugir ao trânsito e não pagar portagens entre Lisboa e Entroncamento

Ponte Salgueiro Maia

D.R.

Nesta crónica falar-vos-ei de um itinerário alternativo de 25 km pelo meio da lezíria, a localmente chamada Estrada do Campo, entre Santarém (ou Almeirim) e Entroncamento (ou vice-versa).

Para norte, se o automobilista assim o desejar, esta Estrada do Campo articula-se, a partir do Entroncamento, com um itinerário portajado mas muito rápido até Coimbra, a A13. Mesmo a velocidades de cruzeiro perfeitamente legais, os 80 km entre Entroncamento e Coimbra fazem-se num abrir e fechar de olhos e com pouco trânsito. Há dúzia e meia de pórticos electrónicos pelo caminho que representam cerca de € 8, em Classe 1 (à volta de € 14 em Classe 2).

Já de norte para sul, uma vez feita a Estrada do Campo da Chamusca para Almeirim, a ligação para Lisboa pela N118 e depois pela A10, Ponte do Carregado e A1 não demora mais de 50 minutos e custa à volta de dois euros (em Classe 1)

Para tornar o itinerário mais claro irei descrever a Estrada do Campo nos dois sentidos.

1 – Sentido Almeirim/Santarém-Chamusca

A Estrada do Campo corre paralela à N118, mais perto do Tejo. Não atravessa localidades e tem pouco trânsito. Eventualmente haverá tractores e outros veículos lentos na época das colheitas. Tenha atenção ao traçado, com uma ou outra curva muito apertada.

No sentido sul-norte a chamada Estrada do Campo (N368 e N368-1) deriva da N114 (Santarém-Almeirim) à esquerda pouco depois do fim do tabuleiro da Ponte D. Luis (ponte velha) logo à saída da povoação da Tapada.

A Estrada do Campo também é acessível do lado de Almeirim, derivando da N118 para a N114, direcção Santarém. Vindo de Almeirim, uma primeira possibilidade é percorrer os quase 3 km até ao cruzamento da Tapada, virando aí à direita para a N368 (direcção Alpiarça).

Mas também pode atalhar e poupar quase 3 km. Para isso, mal entra na N114 vindo de Almeirim, vá com atenção, pois percorridos 600 m, logo depois de uma pequena ponte, corte à direita e siga sempre em frente, entroncando para a direita, 2,5 km depois na Estrada do Campo (N368). Não se assuste com o aviso que restringe a circulação nesta via ao período diurno…

Feitos os primeiros quilómetros (6 se vier da Ponte D. Luis, 3,7 se vier de Almeirim e tiver atalhado), com o casario de Alpiarça bem visível à direita, chegará a um cruzamento de quatro estradas. A que lhe interessa está em frente (ligeiramente oblíqua), semiencoberta por uma lomba. Cruze em frente para a N368-1, ignorando o desvio à direita para Alpiarça e uma derivação mais à esquerda para o lado do Tejo.

A estrada vai tornar-se um pouco mais sinuosa e estreita, serpenteando pelo meio das vinhas e milheirais durante mais meia dúzia de quilómetros. Atenção a uma ou outra curva mais apertada e com fraca visibilidade. Cerca de 9 km depois, corte à esquerda para a Chamusca, ignorando a continuação da estrada para Vale de Cavalos.

Andados mais 1,6 km encontrará um “stop” onde deve entroncar à esquerda. Resta-lhe percorrer mais 7 km, agora de traçado regular, até à Chamusca, onde desembocará na N118 junto à Adega Cooperativa (no largo com estátua rode à esquerda).

Se quiser prosseguir para Entroncamento, Tomar ou Coimbra, atravesse a Chamusca e 4 km depois corte à esquerda para a ponte que dá acesso à Golegã. Contornada a vila pela circular exterior vire para o Entroncamento. A N365 prossegue para norte, dando acesso à A13 (e A23) com cobrança electrónica de portagem. Saiba que até aos arredores de Tomar (Santa Cita) pode usar a N110 como alternativa razoável à A13.

Rio Tejo, em Abrantes

Rio Tejo, em Abrantes

Vitor Oliveira / Flickr

Acesso pela A1 e Santarém

Uma vez descrita a Estrada do Campo no sentido sul-norte, algumas linhas para explicar melhor como se chega à Estrada do Campo vindo de Santarém ou do nó homónimo da A1. Pode atravessar o Tejo pela Ponte D. Luis (ponte velha) ou pela Ponte Salgueiro Maia. A primeira representa menos quilómetros e mais trânsito, a outra o inverso.

Tirando o período da manhã e o fim da tarde, o trajecto pela ponte D. Luis é aceitável. Uma vez passada a portagem da A1 prossiga em frente pela circular exterior, direcção “Santarém/Almeirim”. Andados 3,8 km saia para “Santarém Norte”, passe sobre a via rápida e, na rotunda, saia à direita para Santarém, junto ao hipermercado Leclerc.

Quando chegar a outra rotunda, siga as indicações para a estação de caminho-de-ferro. Atravesse em frente uma terceira rotunda e, quando começar a descer para o Tejo, não cruze a passagem de nível, virando à direita e passando ao lado da referida estação ferroviária.

Já agora, não deixe de apreciar os bonitos azulejos da gare, representando paisagens locais, algum património da cidade e episódios da lendária tomada do castelo aos mouros por Afonso Henriques. Datam de 1927, são da autoria de J. Oliveira e foram feitos na Fábrica Aleluia de Aveiro.

Continue pelo caminho principal que serpenteia pela Ribeira de Santarém até um “stop” onde deverá cortar à esquerda para a Ponte D. Luis. Atravessado o Tejo, mal acabe a povoação da Tapada, corte à esquerda para a Estrada do Campo (EN 368 e 368-1).

A outra opção, embora mais extensa, é directa, utilizando a ponte cujo nome homenageia o mais generoso dos Capitães de Abril. Após as portagens da A1 siga pela circular de Santarém, cortando para o IC10, direcção Almeirim (saída em curva apertada).

Percorrida a Ponte Salgueiro Maia e chegado à margem esquerda do Tejo, na rotunda saia para a N118, direcção Almeirim. Vai entrar na vila, mas apenas o suficiente para cortar logo à esquerda, direcção Santarém (N114).

Aqui, como atrás se explicou, pode ir em frente até apanhar o cruzamento da Tapada ou atalhar à direita logo após o pontão sobre a Vala de Alpiarça.

2 – Sentido Chamusca-Almeirim/Santarém

Como as referências nem sempre são rigorosamente as mesmas nos dois sentidos, passo a descrever a Estrada do Campo se percorrida de norte para sul.

O início é evidente: uma derivação que se afasta da N118 para a direita junto à saída sul da Chamusca. Aqui chegará vindo de Coimbra/Tomar (A13), Entroncamento ou Golegã (N365).

Inicie a versão norte-sul da Estrada do Campo saindo à direita da N118 junto à Adega Cooperativa da Chamusca e à semi-rotunda com estátuas.

Os primeiros 5 km não têm novidade. Andados mais 300 m bifurque à direita, direcção “Quinta Nova/Quinta da Lagoalva de Cima”. A partir daqui o traçado vai ser sinuoso e assim se manterá quase até ao cruzamento para Alpiarça.

Andados mais 1,6 km entronque novamente à direita, seguindo as mesmas indicações. Está a entrar na pior parte da estrada. 1,8 km após este entroncamento ignore à esquerda a derivação para a Quinta da Lagoalva de Cima. Logo depois há um apertado gancho à direita. Está assinalado mas quem o avisa seu amigo é…

Ao fim de mais 6,9 km vai encontrar um gancho à esquerda e 300 m depois está no cruzamento oblíquo de Alpiarça. Cruze sensivelmente em frente, deixando um ramal à direita e a ligação para Alpiarça à esquerda.

Andados 3,6 km, se vai para Santarém e a A1 ignore o que vou dizer e continue até à Tapada e à ponte D. Luis. Se, pelo contrário, vai para Almeirim/Benfica do Ribatejo/Lisboa (pela ponte do Carregado) ou ainda se quiser apanhar a A1 através da Ponte Salgueiro Maia, preste atenção.

Pode na bifurcação acabada de referir (3,6 km após a o cruzamento oblíquo junto a Alpiarça) verificar a veracidade do Teorema de Pitágoras: se atalhar à esquerda, poupará quase 3 km, indo ter, ao fim de 2 km, à N114 a oeste de Almeirim, na qual deve entrar à esquerda (se em vez disso cruzasse em frente estaria a fazer o atalho para Benfica do Ribatejo descrito no final desta crónica).

Uma vez na N118, direcção Lisboa, irá encontrar pouco depois da saída de Almeirim, a rotunda que dá acesso (à direita) à Ponte Salgueiro Maia.

Chamusca

Chamusca

Câmara Municipal da Chamusca

Atalho de Benfica do Ribatejo

Existe, ainda, um atalho de 9 km paralelo à Vala de Alpiarça entre Benfica do Ribatejo e a saída de Almeirim para Santarém. Pode ser interessante para passear pelo campo e gozar a paisagem ou fugir ao trânsito.

No sentido sul-norte, o atalho começa na N118 (Benavente-Chamusca) na saída norte de Benfica do Ribatejo junto ao cruzamento para os Cortiçóis. Vire na direcção contrária, ou seja à esquerda, a caminho do Tejo.

Logo surgirá uma dupla ponte sobre a vala de Alpiarça (uma estreita para peões e uma nova para viaturas) no fim da qual deve virar à direita, seguindo durante 9 km, sempre acompanhando a vala.

É uma pista asfaltada, estreita e nem sempre com bom piso, onde o cruzamento de viaturas depende da habilidade e da boa vontade dos condutores. Tenha especial atenção antes de algumas curvas cegas.

Passados 5,5 km estará a passar sob a Ponte Salgueiro Maia. Após 3 km de recta estreita estará à vista da N114. Se a cruzar em frente entrará no atalho para os primeiros quilómetros da Estrada do Campo, atrás descrito.

No sentido norte-sul o ponto de início do atalho é uma derivação para sul da N114, 600 m a oeste de Almeirim (se estiver a fazer a Estrada do Campo de norte para Sul e tiver atalhado na direcção de Almeirim, é só atravessar a N114 em frente). Basta seguir as indicações “Margarides/Casal Monteiro”, começando a percorrer uma estrada asfaltada mas estreita, paralela à Vala de Alpiarça.

Andados 2300 m ignore à direita a derivação para aquelas duas quintas e prossiga em frente, passando, 700 m depois, sob a Ponte Salgueiro Maia. Percorra mais 5,5 km sempre paralelo à Vala de Alpiarça e, quando o asfalto acabar em frente, tem à esquerda a dupla ponte para Benfica do Ribatejo e a N118.

O repouso do guerreiro: o Toyota Camry estacionado junto à ponte sobre a Vala de Alpiarça

O repouso do guerreiro: o Toyota Camry estacionado junto à ponte sobre a Vala de Alpiarça

Rui Cardoso

O regresso do Toyota Camry

Resta falar do carro que utilizei para reconhecer estes percursos Já na descrição de uma viagem às pedreiras de Borba vos tinha falado, ainda que sumariamente, do Toyota Camry, o modelo de topo da marca nipónica com motorização híbrida de 218 cv, a mesma do novo RAV4.

É um carro muito grande (quase 5 m e 500 l de mala) com algo de americano nas suas linhas (foi sempre vendido em sucessivas versões neste mercado, ao contrário do europeu onde só agora regressa). Sinal de consumos menos agradáveis? De facto as longas viagens por auto-estrada, como foi o caso da descrita em crónica anterior, não são o terreno de eleição das motorizações híbridas (associando neste caso um motor térmico a gasolina, um motor eléctrico e uma bateria de hidretos metálicos de níquel).

Desta vez, num percurso com um pouco de tudo (A1, A10, estrada nacional e alguns caminhos secundários), se as impressões ao volante do Camry não variaram (conforto, boa posição de condução, espaço interior e equipamento generoso) os consumos andaram entre os 6,6 e os 6,9 l/100, isto sem nunca exagerar mas também sem nunca ter andado a “pisar ovos”. Desvendada a incógnita consumo, só continuo a achar um defeito neste carro: custar mais de € 40 mil…

Nota: o autor volta às crónicas no próximo mês, a partir de 15 de setembro.

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