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Vampire Weekend, é cinema da cabeça aos pés

O que é que liga Minnelli, Mallick ou até Wes Anderson a Vampire Weekend? Miallennial explica

Josh Brasted / Getty Images

“Father of the Bride”, o ultimo álbum dos Vampire Weekend que saiu em maio, tem levado a sua dose de boas críticas, fãs agradecidos, tareia de elogios infindáveis, quer pela sua extrema delicadeza musical, quer por tudo o que se relaciona com a sua construção. Pessoalmente, há muito que não ouvia um conjunto de canções que me viciassem assim, aos primeiros compassos.

O nome do álbum é particularmente encantador, na sua simplicidade, e expressão quotidiana, que automaticamente nos brinda com um titulo da época dourada do cinema de Hollywood, “Father of the bride”, um filme de 1950, realizado por Vincent Minnelli. Não, os Vampire não nos narram a história do filme, mas é inevitável não sobrepor os títulos, e até encontrar semelhanças nessas duas artes que se distinguem, a música e o cinema, como a exuberância e meticulosa narrativa que a sétima arte respirava. Este disco tem tudo isso, e tem-no, acima de tudo, à escala de um século XXI, que é exigente na velocidade e no ritmo de consumo do som e das imagens.

No filme de Minnelli, como uma das protagonistas, temos Elizabeth Taylor na sua extrema elegância e vincada interpretação. Em “Hold you now”, canção que abre o disco, há Danielle Haim, em contracena cantada com Ezra Koening. Podemos compará-la à senhora Taylor? Podemos. A sua voz não só canta, como transporta sensações que não se conseguem apenas com a voz no sítio. Ainda nesta música, somos surpreendidos por um arrepiante coro de vozes de Hans Zimmer, anteriormente usado no filme de Terrence Malick, “The thin red line”.

As influências cinematográficas de Vampire Weekend não são novidade, não fosse o genial Koening, também filho de um homem ligado ao cinema, que trabalhou em vários sets, com realizadores como Spike Lee ou Brian de Palma. Do álbum “Vampire Weekend”, de 2008, “Oxford Comma” é dona de um videoclip que não deixa dúvidas sobre a cultura cinematográfica da banda. Realizado por Richard Ayoade, temos um notável plano de sequência à moda de Wes Anderson, com as cores pastel, que estamos habituados a olhar nos seus filmes. Um plano dividido em quatro capítulos e um epílogo, com referências aos filmes preferidos dos músicos. Sem dúvida que poderíamos ver essa espécie de curta-metragem, em competição num festival de cinema de renome.

Neste último álbum, não é certamente só a bela coincidência do titulo, que nos faz navegar na palavra “filme”, mas sim a textura narrativa das suas letras que dariam um argumento apetecível. O cinema que há dentro das suas canções, não se fica apenas pelas referências, mas também pelas emoções que conseguem provocar-nos, como quando assistimos a grandes cenas compostas dos musicais de Minnelli, ou a adrenalina das cenas de guerra de um Coppola, ou aos intensos romances dos anos 40.

As suas imaculadas melodias oferecem-nos isso em bandeja de prata, sublinho-o em “Bambina” ou “Jerusalem, New York, Berlin”, também deste último trabalho.

Vampire Weekend, é cinema da cabeça aos pés: que nunca lhes falte plateau.

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