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Onde está a mente quando a cabeça vai à frente? Janu Sirshasana, uma postura de yoga para se deixar levar

A crónica de bem-estar de Cristina Diniz ganha nova entrada, sempre à quarta-feira, no Vida Extra

É uma das posturas físicas de Yoga que mais prazer me trazem na sua permanência. Pergunto-me porquê. Onde está a mente quando finalmente nela permaneço? Como esta a minha respiração? O que sinto a nível anímico? Consciencializo os seus benefícios diretos na minha saúde?

São questões que é bom observarmos quando praticamos Yoga. Aqui, Janu significa joelho e Sirsha, cabeça. Nesta postura procuramos que a cabeça encoste no joelho.

Como fazer a postura?

Normalmente fazemos Janu Sirshasana após Dandasana (sentados, pernas esticadas à frente, costas alongadas, braços esticados com palmas das mãos junto à bacia, quase um L) e Paschimottanasana (total anteflexão com ambas as pernas esticadas à frente, pés fletidos, procurando que o tronco toque as coxas e as mãos agarrem os pés), mas é uma postura que as pode anteceder ou ser feita isoladamente delas.

Sentados, a perna esquerda alongada, pé fletido, inspiramos, dobramos a perna direita deixando que o joelho aponte para a direita, a perna toque no chão e a planta do pé direito encoste ao lado interno da coxa esquerda, calcanhar direito junto à virilha esquerda. Expiramos aqui todo o ar. Rodamos a bacia para a frente, alinhada com a perna esquerda. Com nova inspiração esticamos os dois braços para a frente, abrindo bem o peito, imaginando que o nosso esterno é um farol a apontar a sua luz para o dorso do pé esquerdo à frente, e, expirando, fazemos a flexão à frente, procurando agarrar o pé esquerdo. O tronco procura apoiar-se na coxa esquerda e a nossa cabeça ir para lá do joelho esquerdo. Mantemos esta postura durante cinco respirações completas, longas, lentas e profundas. Expiramos e desfazemos lentamente a pose, por exemplo caminhando com os dedos das mãos pelas pernas de modo a ir desdobrando lentamente, vertebra por vertebra da coluna vertebral, até a mesma se encontrar vertical.

Construímos a postura para o outro lado, desta vez esticando a perna direita à frente e fletindo a esquerda para que o joelho aponte para o lado e a planta do pé esquerdo se encoste à coxa direita.

Aí, sinto-me em total entrega, compacta, bem unida a mim própria, aproveitando para me encontrar e fortalecer o meu íntimo, me fechar um pouco aos estímulos externos e para o mundo à volta. Sinto-me a deixar-me ir, a entregar-me à vida, a ficar mais e mais flexível e tolerante.

Vejo que a minha respiração me ajuda a crescer, a arranjar mais e mais espaço em mim, a alongar a coluna vertebral em cada inspiração profunda e completa e constato que relaxo, me liberto e me deixo ir com a própria vida em cada expiração silenciosa, lenta e profunda.

Janu Sirshasana

Janu Sirshasana

Benefícios físicos da postura:

Alonga os músculos isquiotibiais;

Aumenta a flexibilidade nas articulações do quadril;

Relaxa as pernas;

Tonifica e massaja toda a região pélvica e abdominal, incluindo o fígado, pâncreas, baço, rins e glândulas suprarrenais;

Ajuda na digestão;

Alonga a coluna vertebral;

Ajuda a diminuir gorduras na zona abdominal;

Ajuda nos distúrbios urogenitais;

Melhora problemas da próstata (quem sofra de aumento da glândula próstata beneficia se permanecer mais tempo na postura);

Estimula a circulação nos nervos e músculos da coluna vertebral;

É usado em yogaterapia para melhorar o prolapso, distúrbios menstruais, fígado débil, nos diabetes, colites, queixas renais, na bronquite e na eosinofilia.

Contraindicações: Quem sofra de ciática ou tenha hérnia discal não deve forçar a flexão à frente, deve praticar com cuidado, ouvindo bem os sinais do corpo e não forçar nada.

Fica o convite a uma prática de Yoga bem consciente, livre e a aproveitarmos esses momentos de união connosco para analisarmos onde está a nossa mente e o que sentimos verdadeiramente.

Boas práticas!

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