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Vida Extra

Sustos no cinema? Vamos a isso

O MotelX regressa em setembro, mas o entusiasmo de adolescente já chegou e a "Miallennial" está pronta para ir sem medo

Getty Images

Chamava-lhes “filmes de sustos”, aos filmes de terror, eram de sustos porque assustavam, porque ofereciam medo de bandeja, porque me faziam tapar a cara com as mãos. Quando era adolescente costumava ir para casa dos amigos ver filmes de terror, eu não gostava, tinha medo, mas ia, ia sempre, mesmo que passasse metade do filme de olhos fechados. Era um ato corajoso esse de ficar em frente à televisão: todos queríamos passar por valentes. Aliás, tanto que ninguém ousava dizer uma palavra sobre qualquer ponta de medo que pudesse existir.

Essas sessões de cinema eram muitas vezes prendadas com coincidências imperdoáveis à imaginação: a queda de um livro da estante, a lâmpada que começava a falhar, o telefone fixo que tocava e ninguém respondia, a madeira que estalava. Agora pensem, tudo isto aplicado à rotina de um bando de adolescentes, que insiste ver filmes do paranormal, só pode ser uma valente sova histriónica para aquilo que se chama sossego.

Admito, aqui, que o cinema de terror já me introduziu a grandes golpes da literatura, recordo a belíssima obra de Mary Shelley, “Frankenstein”, que nos chegou ao cinema pela primeira vez em 1931, com a autoria de James Whale. Imperdível filme que se ramificou pelos olhares de tantos outros autores que criaram e imaginaram uma série de outras versões ou histórias similares. Um terror adorável, esse da era clássica, o preto e branco que não nos desilude, as figuras, os protagonistas as caracterizações. É de louvar, esse cinema que chegou também do Expressionismo Alemão, onde conhecemos o grande Dr. Caligari, ou por outro lado uns anos mais à frente, quando o senhor Hitchcock nos começou a agitar com o seu universo soberbo.

O Motel X trouxe-nos à cidade essa cultura de ver o terror com outro olhar, com a amplitude merecida que esse mesmo cinema deve ter. Mostra-nos que o terror não são só sustos, mas sim um conjunto de camadas em constante ebulição provocada por autores imparáveis que não param de criar e de nos trazer histórias e experiencias inundadas de talento, medo, adrenalina mas também muito humor.

Foi o Motel X que me deu a hipótese de ver António de Macedo na tela, dando ao público a oportunidade de conhecer o trabalho desse realizador português, que se distingue com uma cinematografia ligada fantástico.

Esta semana já foram reveladas algumas das obras que vão ser projetadas no Cinema São Jorge em Setembro, aviso desde já que mal posso esperar por ver o filme “Rasganço”, da portuguesa Raquel Freire.

Temos um mês para nos prepararmos para os sustos que estão a chegar e fingir que somos valentes, depois é só decidir as sessões e ir sem medo.