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Fazer diferente compensa: Asus Zenfone 6

A opinião do editor de novas tecnologias da SIC, Lourenço Medeiros

A imagem não tem tratamento rigorosamente nenhum. Estava um dia nublado. Se fosse uma pessoa, estavam lá os poros todos. Mas podemos sempre usar aqueles filtros que suavizam para disfarçar

Lourenço Medeiros

É mesmo um bom telefone Android e com um preço até muito simpático para a gama alta em que se insere. Vamos já tirar da equação uma coisa de que se fala pouco.

Excelente som, atributo que estranhamente tem sido uma das falhas habituais. O esforço de design, o fazer mais fino ou mais bonitinho aqui ou ali, por vezes, acaba por prejudicar o básico — não é de todo o caso deste aparelho. Dá mesmo para falar ao telefone, não é piada, e até para ouvir, por exemplo, um podcast em alta voz no carro, música também, se não forem muito exigentes. Do que é que estão à espera? Colunas de audiófilo?

De resto, para os puristas, até lhe deixaram a ligação por jack 3,5 e eu, que não sou saudosista, dei por mim a usar fios numa série de situações em que são úteis e em que me tinha habituado a prescindir deles. Com auscultadores, quando estou na SIC, e para o carro, o cabo é conveniente quando quero carregar, ouvir podcasts e usar o programa de navegação, tudo ao mesmo tempo. O meu carro já tem uns anos. Enfim, está lá para quem ainda gosta.

É um telefone Android, faz as coisas que os andróides fazem de forma capaz e segura, não me vou cansar com isso. Vamos ao que ainda diferencia a maior parte dos telefones que, de facto, neste caso é o elemento mais marcante: a máquina fotográfica.

A selfie da selfie no dia do lançamento Mundial em Valência com as duas câmaras em destaque normalmente estão a descansar lá atrás

A selfie da selfie no dia do lançamento Mundial em Valência com as duas câmaras em destaque normalmente estão a descansar lá atrás

É um dos pouquíssimos a optar por uma câmara rotativa, e eu confesso que me diverti muito a testá-la. Gosto mesmo de fotografar, tenho alguma nostalgia das máquinas analógicas (mas já não trocava pelas vantagens das digitais) e adorei o brinquedo que desenvolveram de propósito para o Zenfone 6.

A máquina com duas lentes está lá quietinha no seu lugar, nas costas do telefone e pela frente não temos nada, rigorosamente nada, nem furo, nem bossa, nada a perturbar o nosso belo ecrã de telemóvel. Quando queremos fazer uma selfie, a máquina, as duas lentes, sai do lugar, roda para cima do telemóvel e fica em posição invertida a olhar para nós por cima do ecrã. Simples e genial, mas fazer isto funcionar é o cabo dos trabalhos para os engenheiros. Vantagem imediata: temos as lentes com a mesma qualidade dos dois lados, e o ecrã sempre desobstruído. Desvantagens: em teoria, é mais uma parte mecânica sujeita a stress.

Claro que a Asus diz que testou e garante a durabilidade da coisa. Por enquanto, ainda não dei pelo habitual coro de protestos, o que até é estranho, mas é bom sinal. Mais desvantagens: para fazer isto, a Asus prescinde do trio da moda, ou seja tem dois belos sensores Sony, um deles com 48 MP, e outro com 13 MP (grande angular), mas prescinde de ter uma pequena teleobjectiva para aqueles retratos desfocados. Compensa com uns truques de software, mas eu ainda lhe sinto a falta da terceira lente. Tem que ver com o esmagamento de planos. Sem fazer disto uma lição de fotografia, se não conhecer o efeito, basta saber que com a pequena teleobjectiva por regra ficamos mais bonitinhos e menos distorcidos.

Quando queremos mesmo aquele ângulo pertinho do chão

Quando queremos mesmo aquele ângulo pertinho do chão

Depois podemos colocar as lentes na posição que quisermos, daí a tal nostalgia. Podemos fazer fotografias com o assunto em frente a olhar para o ecrã horizontal de cima como nas máquinas de 120 mm, muito bom. Há situações muitos especiais como as que tento ilustrar em que pode ser útil. De resto é muito divertido mostrar ao amigos as panorâmicas automáticas, Escolhemos o local, o modo panorâmico, carregamos no botão e ficamos a ver as lentes a rodarem sozinhas para completar a imagem. Engraçado sobretudo porque podemos ficar nós próprios incluídos na fotografia sem estragarmos tudo com os nossos movimentos.

Dito isto, repito: como gadget é sem dúvida um bom telefone, com uma boa relação qualidade preço, e a solução da máquina fotográfica é divertidíssima para testar e mostrar aos amigos nos primeiros dias. A dura realidade é que, neste meu teste prolongado, como sempre, depois disso nunca mais usei a funcionalidade de andar a rodar de um lado para o outro. Não sou muito de selfies, e até hesitei em tirar algumas fotos normais, sobretudo retratos a outros, por me faltar a terceira lente. Mas isto sou eu. Manias! Vivemos tantos anos só com uma e agora estou com estas coisas.

A bateria é para esquecer. 5000mAh duram muito e tem carregamento rápido, mas não sem fios. Testei o modelo de 6 GB com 128 de RAM, mas pode ter até 8/256 há variantes tipicamente dos 500 aos 600 euros e a Asus diz que já teve que aumentar os níveis de produção 3 vezes para corresponder à procura. Por cá, se conseguir comprar sem esperar é uma sorte, chegam e saem logo como se vê até nas lojas online.

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