14h08 16 Jul 19
O sistema de cores e letras que existe para indicar o tipo de consumo energético, seja de uma habitação ou de uma torradeira, é compreensível pela maioria dos consumidores mesmo que nada saibam sobre eletricidade e afins. Seria fácil aplicar semelhante ferramenta aos alimentos, indicando os mais e menos prejudiciais para a saúde. A ideia já esteve na mente de vários responsáveis pela Saúde em Portugal mas nunca avançou, segundo confessaram, porque o sector não se empenhou.
Uma das fórmulas pensadas foi a de um semáforo no rótulo de cada alimento. As três cores - encarnado, amarelo e verde – , e respetivas intensidades, seriam suficientes para ajudar o consumidor a fazer uma escolha mais acertada mesmo que não soubesse ler ou, pelo menos, em português. Nada mais fácil mas que se tornou muito difícil, pelo que nunca chegou a ser feito.
A educação alimentar que é necessária junto da população teria assim uma ajuda importante e, certamente, muito mais imediata do que através da leitura da roda dos alimentos. Até as crianças compreendem mais depressa a diferença entre as três cores do que os segmentos do diagrama com os vários grupos de alimentos e respetivas quantidades ou porções. E neste campo, voltamos a ‘andar à roda’.
O tempo que se perde a dar antena à discussão sobre a presença ou não de vinho às refeições seria melhor aproveitado a promover a ingestão dos alimentos que nos estão a fazer falta: grão, feijão, ervilhas, favas ou lentilhas, por exemplo. O vinho diz respeito a um grupo de pessoas, supostamente adultos saudáveis, e as carências alimentares a praticamente toda a população, sobretudo aos mais jovens, ou seja, por que é prioritário iniciar a mudança de hábitos. Brindo, com um copo de vinho, a isso.