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Vida Extra

Exercícios respiratórios de Yoga adequados após cirurgia à tiroide

Cristina Diniz traz-nos uma nova entrada da sua crónica sobre bem-estar, onde explica como “a prática terapêutica do yoga pode acrescentar vários benefícios”

Na continuação do tema da semana passada, mesmo sabendo que é deverás específico, opto por abordar questões relacionadas com problemas da tiroide. Assim sendo, se se divulgaram posturas físicas indicadas para problemas da tiroide, hoje partilham-se exercícios respiratórios adequados após cirurgia à tiroide (biópsia, metade da glândula ou a totalidade da tiroide).

A recuperação após cirurgia é geralmente fácil, contudo, casos há em que são aconselhadas a terapia da fala, exercícios vocais, exercícios com o pescoço e exercícios respiratórios, muitos deles prática comum no yoga. O mais importante na prática de yoga é encorajar a pessoa a gostar e a respeitar o seu corpo, mesmo antes de o fortalecerem e o flexibilizarem.

A prática terapêutica do yoga pode acrescentar vários benefícios, tais como:

— Relaxar a musculatura do pescoço com exercícios respiratórios direcionados para esse efeito;

— Controlar o metabolismo e o sistema imunitário;

— Controlar os níveis de stress e ansiedade através de relaxamento profundo e meditação;

— Aumentar a amplitude de movimento do pescoço e dos ombros;

— Melhorar a qualidade da voz através da vocalização de mantras e bija mantras (lam, vam, ram, yam, ham, om, om);

— Melhorar o bem-estar geral através de técnicas de relaxamento e meditação, que proporcionem felicidade e aceitação, tanto mais que esta última é dos conceitos mais importantes dentro da filosofia de vida do yoga.

Quanto à respiração yoguica, em primeiro lugar deverá dominar-se é uma respiração simples, nasal, consciente, lenta e profunda. Seguem alguns exemplos:

— Começamos por nos deitar no chão, em decúbido dorsal, colocando as mãos suavemente pousadas sobre a região abdominal, fazendo com que os dedos médios se toquem ligeiramente. Inspiramos pelo nariz e reparamos como o abdómem se projeta para cima e os dedos médios se afastam um do outro, expiramos lentamente pelas narinas também e constatamos como a zona abdominal se retraí paulatinamente e como os dedos médios voltam a aproximar-se. Isto é simples e bom.

— A partir do domínio desta respiração abdominal, continuamos a fazer os mesmos passos, mas o foco da atenção na inspiração passa a ser a parte de trás da garganta.

— Recomenda-se também, e ainda na posição deitada, uma inalação prolongada e que a expiração seja feita pela boca ao mesmo tempo que se vai contando em voz alta até 10.

— A respiração ujjayi, que significa vitoriosa, é muito importante e recomendada nestas situações por terapeutas da fala. Faz-se inspirando e expirando controlada e lentamente pelas narinas, mas com a contração da glote, na garganta. Ela produz um som que faz lembrar as ondas do mar a rebentar na areia ou o restolhar das folhas ao vento. Não é fácil de se conseguir à primeira tentativa, um truque é começar por fazer esta respiração em frente dum espelho, com a boca aberta. Iremos verificar que o ar expirado vai embaciar o vidro. Concluímos assim que estamos a contrair a glote e a fazer bem a respiração. A meio da expiração fechamos a boca e continuamos a respiração ujjayi só pelas narinas, o que vai beneficiar o relaxamento dos músculos da garganta.

— Sentados numa cadeira, olhos fechados, costas direitas, pescoço alinhado com a coluna vertebral, inspiramos e expiramos 12 vezes, com suave sorriso nos lábios. Mantemo-nos positivos, enchendo o corpo de energia com a inspiração e expiramos, mandando fora os antioxidantes de modo a melhorar o sistema imunitário. (postura de Tadasana na cadeira)

— Fletindo o pescoço para a frente e para trás, fazemos 6 respirações completas. Inspiramos e olhamos para cima, alongando o pescoço, Expiramos e trazemos a cabeça para baixo, deixando que o queixo desça em direção ao esterno. Foque a atenção no pescoço.

— Rode o pescoço para a direita enquanto inspira e alonga o lado esquerdo. Expire e volte ao centro. Inspire e rode para o lado esquerdo. Expire e volte ao centro. Repita estes movimentos 6 vezes.

— Sentados numa cadeira, mãos nos joelhos. Inspiramos e expandimos o peito, inclinando ligeiramente a cabeça e queixo para trás. Expiramos e curvamos as costas, subindo as costelas e trazendo o queixo ao esterno. Este movimento deve ser dinâmico. Sorrir e respirar com positividade. Repetir 6 vezes. (Postura Marjaryasana Bitilasana na cadeira).

— Sentados numa cadeira, pernas e pés unidos. Inspiramos e esticamos o braço direito sobre a cabeça, inclinando para a esquerda, alongando o tronco. Expiramos e olhamos para a mão em cima. Mantemos esta posição durante 6 respirações completas. Soltar e trazer o braço para baixo enquanto expiramos. Inspirar novamente e repetir tudo começando com o braço esquerdo. A ideia é alongar lentamenta para ajudar na abertura dos vários músculos perto do peito, ombros, pescoço e parte superior das costas.

— Sentados, coluna vertebral alongada. Agarre nas costas da cadeira levando os braços atrás e ao inspirar, levante o peito e ombros e olhe para cima. Expire e mantenha-se nesta posição sentindo o alongamento do pescoço e da parte superior do tronco. Sorria e mantenha durante 6 respirações. Saía da postura, relaxe e volte a repeti-la durante mais 6 respirações. Permite o fluxo de energia na garganta e ajuda a recuperar a voz. (postura de Bhujangasana na cadeira).

— Ficamos agora em pé. Inspiramos e erguemos ambos os braços sobre a cabeça. Expiramos e olhamos os dedos. Manter, durante 6 respirações. Em alternativa, poderá baixar e erguer os braços de forma dinâmica, à medida que inspira e expira. O foco deverá ser na energia que absorve e nos antioxidantes que expele. Esta conexão com o corpo ajuda imenso no processo de cura. O movimento dos braços e ombros não é apenas para ganhar força ou flexibilidade, mas também, e de modo mais poético, para extrair energia da Terra e nos mantermos enraizados, seguros e felizes. (Postura – Urdhva Hastasana).

— Podemos praticar ainda outros tipos de respirações do yoga, como anulom vilom, bhramari ou shitali pranayamas e até kapalabhati, contudo as acima referidas são simples e apresentam bons resultados.

Observação: Idealmente praticar estas respirações junto de um professor acreditado e ter consciência e cuidado consigo próprio de modo a parar caso sinta algum desconforto.

Boas práticas!