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Vida Extra

Aventuras e desventuras na A24

Como minimizar os custos dos pórticos de cobrança electrónica entre Viseu e Chaves sem perder muito tempo com isso

Centro histórico de Viseu

Amadeu Araújo

Inaugurada em 2007 e com 150 km de extensão a A24 passou a permitir fazer a viagem de Viseu a Chaves em hora e meia, ou pouco mais. Exactamente o tempo que se passou a levar a partir do Porto graças à construção da A7 (dotada de portagens físicas, esta auto-estrada entronca na A24 em Vila Pouca de Aguiar).

Um sonho transformado em pesadelo, em 2011, com a introdução das portagens electrónicas, as quais passaram a representar um custo de quase € 15 (em Classe 1) para estes 150 km de viagem. Com a agravante de ter passado a ser portajado o troço já existente do IP3 que resolvia de forma satisfatória as ligações entre Lamego e Régua.

É possível fazer parte deste trajecto pagando menos? É, de facto, conforme explico a seguir (para mais pormenores consulte-se o livro que publiquei em Julho de 2013 e se chamava “Pare, SCUT e Olhe”).

Sendo muito desfavorável a orografia da zona atravessada por esta auto-estrada, as alternativas por estrada nacional são todas muito piores. Por alguma razão este itinerário foi construído… Há duas zonas sem alternativa: entre Lamego e Régua (apesar de tudo com uma pequena variante) e entre esta cidade e Vila Real.

De Viseu ao Carvalhal

Começando o trajecto em Viseu e rodando na direcção de Chaves, os primeiros quilómetros da A24, entre os nós de ligação ao IP3, ao antigo IP5 e à A25 são gratuitos, pelo que, se quiser evitar a primeira portagem, precisa, apenas, de sair no nó 3 (São Pedro do Sul), tomando aí a N2 para Lamego.

Se o factor tempo não for crítico ou se fizer este percurso com muita frequência a N2 é aceitável nestes primeiros quilómetros, permitindo poupar à volta de um euro (em Classe 1), correspondente aos primeiros 15 km da A24. Deve, portanto, sair da A24 no nó 3 (Viseu Norte/São Pedro do Sul), virar na direcção contrária às termas e apanhar um troço em via rápida que confluirá com a N2 cerca de 5 km a norte de Viseu.

Pode reentrar na A24 no nó 4 (Arcas/Pindelo dos Milagres), não havendo portagem até ao nó seguinte que dá acesso às termas do Carvalhal. Para evitar a travessia de Castro Daire (a menos que queira visitar esta simpática vila, é claro) recomenda-se entrar na A24 no nó 5 e pagar pouco menos de um euro (Classe 1). Em poucos minutos passará o viaduto do Paiva, o túnel e a longa subida até aos nós 6 (Castro Daire/São Pedro do Sul) e 7 (Castro Daire Norte/Cinfães). Para fugir à portagem que se segue deve sair no nó 7 (Castro Daire Norte/Cinfães) e tomar a direcção de Lamego, pela N2.

Vidago Palace Hotel, a recompensa no fim do caminho

Vidago Palace Hotel, a recompensa no fim do caminho

JORGE MIGUEL GONCALVES

De Castro Daire à Régua

O traçado da N2 passa a ser de planalto, sem surpresas de maior e sem grande trânsito. Assim se manterá até Mezio e Bigorne. Aí, aproximando-se a derivação para Lamego, deverá reentrar na A24 no nó 9 e descer para a Régua. Não o faça até ao Douro devido à existência de novo pórtico cuja colocação capciosa (num troço de via rápida antes gratuito) merece, de facto, ser contornada.

Faça os primeiros quilómetros da descida pela auto-estrada, passando ao lado da barragem do rio Varosa. Saia no nó 10 (Valdigem/Armamar) e desça pela N313, direcção Régua. São meia dúzia de quilómetros sinuosos e declivosos mas valem praticamente um euro (Classe 1). A rotunda junto à margem esquerda do Douro é confusa mas, basicamente, se tomar a primeira saída seguirá em frente, entre taludes, para a ponte velha sobre o Douro e para a Régua.

No final da ponte, já na Régua, terá que virar à direita na primeira rotunda e subir à esquerda na segunda, seguindo as indicações para a A24 que apanhará no alto, passado um túnel. Esta solução agrava o trânsito de atravessamento na orla leste de Peso da Régua mas é, de facto, o que apetece fazer.

Museu do Douro

Museu do Douro

Sugestões de visita na Régua

Já que está na Régua, se tiver tempo veja o Museu do Douro. E se forem horas de refeição, atravesse a cidade como se fosse para o Porto e, já perto da saída para oeste, estacione perto da rotunda ou do mercado e pergunte onde fica o restaurante Cacho D’Oiro. Fica na Travessa dos Aflitos mas quem lá chegue nesse estado com a fome, dificilmente sairá de lá sem um sorriso de orelha a orelha, graças aos filetes de polvo com arroz ou à vitela assada.

Da Régua até aos arredores de Vila Real não há alternativa, pelo que terá de se resignar a pagar à volta de dois euros (Classe 1) até ao nó 15

(Vilarinho da Samardã). Nesta aldeia com reminiscências camilianas saia para a N2 e saiba que até Vila Pouca de Aguiar o traçado pela N2 é mais curto, mais defendido das geadas e nevões e, claro, sem custos. E o tempo que perderá, comparativamente falando, não será nada de especial.

Memórias termais

De Vila Pouca em diante a N2 é aceitável até à estância termal do Vidago, sendo daí para norte preferível a A24, caso tenha pressa (Chaves já só está a 17 km). O acesso ao nó 19 da A24 fica 2 km a norte de Vidago, virando para Boticas.

Aproveite para ver o parque, o Palace Hotel do Vidago e outros belos exemplos de arquitectura termal, como de resto também o pode fazer nas Pedras Salgadas. E se gosta de andar de bicicleta ou de passear a pé, o troço desactivado da antiga Linha do Corgo foi transformado em ecopista entre Vila Pouca, Pedras Salgadas e Vidago.

E se tanta portagem lhe fez azia lembre-se de que está na terra da Água das Pedras.