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Vida Extra

Ser popular

Ser millennial em tempo de Santos

É oficial, estamos na época mais popular no ano. Fitinhas nas ruas, balões de papel, sardinhas abstractas, sardinhas contemporâneas, sardinhas pós-dramáticas… de um modo geral: Sardinhas por todo o lado. É, está tudo colorido, tudo musicado, tudo preparado para a grande festa. A rua, toda ela, já é um baile, as músicas surgem milagrosamente e as senhoras nas varandas, regam os seus canteiros de flores de verdade, de flores de papel.

Há vida, há cor, e claro, há o meu elemento favorito desta época festiva: As Noivas de Santo António. Faz parte, é impossível não gostar delas, não existirem seria como tirar as estrelas da pintura, “A Noite Estrelada” de Van Gogh, não fazia sentido e não tinha graça nenhuma! Imaginem só, o que seria ligar a televisão e em nenhum dos canais, não estar a ser apresentada a história do casal, perdão, dos casais, que vão dar o nó, já no próximo dia 13 de Junho? A paixão do noivo, o amor da noiva, a canção que os uniu. É português, português de Portugal, e lá no fundo, gostamos imenso! Se as ruas podem estar cheias de habitantes do Norte da Europa a celebrarem grandes despedidas de solteiro, as nossas belas noivas têm de se casar na nossa Sé, cheias de graça e atenção! O que seria se assim não fosse! Eu própria já me pensei por na fila para tal casamento, se o Santo António me ouvir, daqui a um ano lêem uma crónica sobre o meu vestido de noiva, e sobre o regresso d’Os Pontos Negros (não porque me vá casar com algum deles, mas porque seriam a banda escolhida para o copo de água). Pronto, chega de “miallennialisses”.

Ainda esta semana me enchi de alegria num excerto que encontrei pela internet, de um filme português de 1933, “A canção de Lisboa”- que se bem se lembram, termina com uma marcha protagonizada por Beatriz Costa e Vasco Santana, num conjunto de quadras airosas que nos fazem sentir populares, (nos vários sentidos da palavra)! Que casal catita, ela com a sua franja vigorosamente hipster, ele com uma elegante camisa, que era capaz de fazer inveja a qualquer músico alternativo da nossa cidade.

E então, a marcha dos millennials? Certamente não andam de arquinho na mão, com tanto iphone para desbloquear e tanta impressão digital para ser validada!

Quem seriam os padrinhos de tal marcha? Eu cá votava nos Cassete Pirata, bem-parecidos, gente de bom gosto, e até lançaram um álbum esta semana!

Que bonita esta época! Todos Santos, todos populares! E agora caríssimos leitores, deixo-vos por aqui, que como diz a Beatriz Costa no papel de Alice: “Vou comprar um manjerico, ir daqui pró bailarico!”.