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Vida Extra

Poesia Pop, Poesia da vida!

Uma semana de poesia onde tudo rimou. De concertos a leituras, com uma camada pop, assim como um bom millennial gosta

Patrícia Roque, em Poesia Pop

A poesia é como a matemática, está em todo o lado, não é? Abrimos a porta de manhã e a vida oferece-nos poemas. A poesia não se escreve apenas, está nas ruas, no metro da cidade, nos olhos de quem nos vê ou nos olhos de quem olhamos. Ligamos o rádio e há poesia, abrimos a porta do elevador e lá está ela, caminhamos por um corredor vazio e conseguimos ouvi-la a dizer “Olá”.

Há semanas que rimam mais que outras, mas esta certamente, ofereceu à cidade uma qualquer métrica perfeita. O sol voltou, voltou a aquecer-nos e voltou na música do Luís Severo, que nos prendou com um concerto de lançamento de novo álbum. Poesia? Tanta.

É um facto, que no geral a música está cheia dela e certamente que a eternidade não chegaria para falarmos sobre as entranhas poéticas a que música se louva. O som, as palavras, as respirações nela escondidas, tudo conjugado de forma a olharmos as sensações como transcendentes. Os cinco sentidos, por exemplo, ficam despertos. A música parece que sabe, que tem sabor, a pele arrepia-se, as melodias transformam-se em pinturas. — É isto que se tem quando a música é poema.

Mas a semana teve o céu alinhado no que toca ao cruzamento de temas, tanto que era capaz de surgir aí uma qualquer narrativa digna de cinema de autor. Então porquê? Porque os ossos do ofício foram obrigados a ir em busca das estrofes da poesia pop. Como? Muito simples, imaginem um sarau de leitura onde os autores citados vão de Ágata a Carlos Paião, passando por Britney Spears, até Conan Osíris. Essas canções que já nos abraçaram tantas vezes em horas malditas, tiveram direito agora a serem contempladas pelo dom da sua palavra. Onde? Numa sala, na Sala, para ser mais precisa. Mesas, sofás e copos de vinho, na calma de uma sinfonia de Beethoven, em volume bem medido. Devagar e com vigor, foram colocadas tais palavras nas vozes de algumas mulheres. Dignidade na forma de olhar as rimas: os desamores, as traições epicamente descritas, a serenidade de uma leitura do século XIX, mas ali, no século XXI.

Houve o fervor do “Maldito amor”, a doçura do “Pó de arroz”, interpretada por uma voz tão doce quanto a canção, e claro, um público entusiasmado por ouvir falar aquilo que costuma escutar cantado.

Ai que a vida é um poema, do princípio ao fim. Ou, como dizem as autoras de “Poesia”, naquele marco da música popular portuguesa dos anos 90: Poesia é viver, viver é poesia. Que mais posso dizer, somos uns sortudos, não é?

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