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Vida Extra

Quer um mau conselho? Vá à Internet

A leitura de informação online sobre saúde não dispensa a consulta de um médico. Os conteúdos parecem credíveis, alguns até citam supostos estudos científicos, mas a verdade é que a esmagadora maioria não está totalmente correta ou é mesmo falsa. Cruzar informação, tal como ouvir uma segunda opinião clínica, é o melhor remédio

A Internet tem resposta para tudo e imediata, e na área da saúde e do bem-estar ainda mais. O público tem especial interesse por conteúdos relativos a maneiras de melhorar o estado anímico - seja a alimentação, a aparência física ou uma maleita - e os fornecedores de conteúdos aproveitam. O que já se suspeitava, que a maior parte da informação é pouco credível, acaba de ser confirmado por mais um estudo, este, de facto, científico e verdadeiro.

A conclusão diz tudo: “nove em cada dez ‘influencers’ de saúde não sabem do que falam”. Mas continuam a ‘falar’ porque continuam a ter quem os ‘ouça’. O estudo realizado por investigadores da universidade escocesa de Glasgow, apresentado no Congresso Europeu da Obesidade, confirmou que, praticamente, todos os autores de conteúdos sobre hábitos de vida saudáveis analisados não tinham a verdadeira noção do que é a perda ou a manutenção do peso.

Segundo os investigadores, nove em cada dez promotores não fundamentavam os conteúdos em factos científicos, não tinham conhecimentos sobre nutrição e eram parciais nas sugestões de produtos e marcas. E isto para ‘influencers’ supostamente de gabarito – foram avaliados os ‘blogues’ dos 14 autores mais populares no Reino Unido, com mais de 80 mil seguidores em pelo menos uma plataforma online, nos domínios da nutrição e do exercício físico. Portanto, é fácil supor como serão os restantes.

E é igualmente fácil supor como será a realidade entre os ‘influencers’ portugueses. Alguns que conheço não têm formação na área, desde logo em nutrição, e limitam-se a transmitir ‘mesinhas’, mitos e dicas sobre dietas da moda. É legítimo, nada contra, desde que esteja bem explícito que é essa a natureza do conteúdo e que os conselhos dados não se fundamentam em conhecimento científico. Os leitores são livres de ler e de acreditar no que querem, mas devem saber ao que vão.

Ter a Internet como fonte de informação requer cuidados redobrados. É importante optar por ‘frequentar locais’ seguros e credíveis, por exemplo com chancela oficial ou científica, e ‘ouvir’ quem se apresenta com as respetivas qualificações formativas. Pouco, para não dizer nada, do que fazemos à nossa saúde é inócuo e o grau de perigo pode variar apenas pela forma como se faz. Só ingerir sumos de legumes durante alguns dias (os ‘milagrosos’ detox), começar a correr sem avaliação médica prévia, ir para o ginásio levantar pesos, ou tantas outras coisas, pode ser apenas o início de vários problemas de saúde, e nem sempre com menos peso na balança como era o propósito.

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