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Respiração consciente, a chave para uma gravidez tranquila

No mês das mães, vem a propósito presentear as futuras mamãs e abordar uma das técnicas mais importantes do yoga: a respiração expansível e consciente

D.R.

Durante a prática de yoga na gravidez são variados os exercícios físicos feitos, é reservado um tempo, por sinal muito apreciado, para o relaxamento profundo, para a meditação e até para a entoação de cânticos. Contudo uma das práticas fundamentais, que vai tranquilizar imenso a mamã e o seu bebé, são os diversos tipos de respirações existentes.

É a respiração consciente que vai centrar e focar a mãe, a vai serenar e unir mais ao ser que está a criar. A sua inspiração suave e a expiração prolongada vão nutrir e embalar o bebé, é um vai-vai respiratório durante o qual muito amor pode ser transmitido e recebido, é como uma dança carinhosa entre mãe e filho.

O objetivo principal é que a mulher esteja relaxada, tranquila e confiante, e isso vai-se conquistando com a prática.

Durante os meses de gestação podemos fazer variados tipos de pranayamas (exercícios de expansão e controlo da respiração) desde que não se façam retenções, suspensões da respiração, nem com os pulmões cheios nem vazios (a haver, deverão ter a duração de um a dois segundos só) para que o feto nunca fique privado de oxigénio.

Podemos fazer uma respiração apenas abdominal (adhama), apenas intercostal (madhyama), apenas clavicular (uttama), uma respiração completa que inclua abdómen, tórax e zona clavicular (raja pranayama), a respiração da vela (expirando o ar prolongadamente pela boca como se soprasse uma vela), respirações com som e contração da glote (Ujjayi), respiração só com a narina solar (surya), só com a narina lunar (chandra), com ambas as narinas (nadi shodana), respiração com a língua em calha (shitali), usando a língua e os dentes (shitkari), com foco no ruído da abelha (bhramari), enfim uma abundância à disposição da yogini grávida.

Escolho exemplificar uma outra, com som. É importante reter que a emissão de som relaxa a musculatura da vagina e ajuda a libertar a tensão, além de ativar a garganta e trazer determinação e energia para a voz.

D.R.

Respiração AIOU

Sentada numa posição confortável, coluna vertebral alongada, inspiramos pelo nariz (a inspiração é sempre nasal neste exercício), rodando simultaneamente a cabeça para a direita, expiramos pela boca e verbalizamos ao mesmo tempo AAA até trazer de novo a cabeça ao centro. Uma vez que o importante é sentir, com o som AAA sentimos o coração. De novo, inspiramos e rodamos simultaneamente a cabeça desde o centro até ao lado esquerdo, expiramos pela boca verbalizando III enquanto giramos a cabeça até ao centro. Inspiramos e rodamos a cabeça para cima, deixando que a nuca toque nas costas, expiramos pela boca verbalizando o som OOO até trazer a cabeça de novo na sua posição neutra. Procuramos sentir o abdómen ao fazer o som OOO. Por último, inspiramos ao mesmo tempo que descemos a cabeça e aproximamos o queixo do esterno, expiramos pela boca verbalizando o som UUU até terminarmos com a cabeça na sua posição normal. Procuramos sentir o interior da pélvis com o som UUU.

Fazemos alguns ciclos e terminamos com a respiração apenas nasal.

Benefícios de todos os exercícios respiratórios

A respiração profunda e consciente faz a mulher sintonizar-se consigo própria e com o seu bebé. É aí que ela vai resgatar força, sabedoria e energia;

Ventila os pulmões;

Tonifica e acalma o sistema nervoso;

Mantém a mente constante e focada, evitando uma amálgama de pensamentos e oscilações mentais;

Tonifica a musculatura do pavimento pélvico;

Contraria o inchaço nas pernas e pés porque os exercícios respiratórios induzem o coração a bater mais depressa, acelerando a circulação sanguínea, impulsionando o funcionamento dos rins, o que minimiza a retenção de líquidos;

Estimula a circulação sanguínea;

Alivia o cansaço;

Ajuda a recuperar de problemas respiratórios como por exemplo falta de ar;

Expande a capacidade respiratória e a caixa torácica, permitindo ganhar espaço para o bebé e para os órgãos internos;

Com o ritmo respiratório o diafragma massaja o estômago, fígado, baço e os intestinos;

Permite que a mulher relaxe e se entregue ao momento e essa tranquilidade é benéfica, sobretudo no trabalho de parto pois promove a libertação da oxitocina e reduz a produção de adrenalina, própria de situações de medo, ansiedade ou preocupações;

Alerta: Existindo qualquer sinal de desconforto, náusea, fadiga, tontura ou pressão abdominal deverá parar o exercício.

No yoga, as grávidas são convidadas a ter uma disciplina diária, a fazerem cerca de 3 exercícios respiratórios por dia, mesmo que sejam de pouca duração sempre vão criando uma rotina à qual o corpo se habitua agradavelmente. O importante é sentir, focar-se nas sensações, tomar consciência do seu corpo, conectar-se com ele e com o belo ser que estão a gerar, embalá-lo, amá-lo desde o ventre, todos os dias, sabendo que é um tempo maravilhoso e que se esgota, de modo que é de aproveitar bem essa bênção da maternidade.

E já agora um brinde especial a todas as mães, sem as quais simplesmente não existiríamos.

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