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Vómitos e desarranjo intestinal? Saiba tudo o que nunca deve fazer

É normal nesta época do ano ser acometido por gastroenterite viral, sobretudo quem é criança. A maioria das pessoas socorre-se de cuidados que foram transmitidos entre gerações, mas que estão errados. Um exemplo? Fazer dieta

Vivemos um momento do calendário em que proliferam vírus que tendem a provocar vómitos e desarranjo intestinal. A experiência revela que o rotavírus é o agente mais comum das gastroenterites que ocorrem nesta fase do ano e que a grande maioria das situações evolui sem gravidade. O maior perigo é desidratação, pela perda contínua de água, e é a ela que se deve prestar a máxima atenção.

Uma parte substancial das pessoas acredita que sabe o que é preciso fazer, mas muitos dos ensinamentos que passaram entre avós, pais e filhos estão errados. Desde logo, fazer dieta, por exemplo retirando alimentos como leite, iogurtes, bolachas, manteiga, fruta, sopa ou outros.

"A alimentação é totalmente indiferente. Deve dar-se o que a criança quer comer e é o corpo que o vai dizer. O importante é realimentar o mais precocemente possível para permitir a recuperação. Sem comer é um processo mais lento", garante Leonor Sassetti, pediatra do Hospital Dona Estefânia, Lisboa, e consultora da Direção Geral da Saúde. A única exceção é para casos de diarreias prolongadas, isto é, com mais de uma semana: "Pode ocorrer lesão das vilosidades do intestino e, assim, das enzimas que digerem a lactose e será indicado optar por um leite sem lactose. Mas nas diarreias curtas, nem pensar em parar o leite completo."

A especialista afirma que a maior preocupação deve ser manter a hidratação, tentando parar o vómito logo que possível. "O único medicamento que os pais devem ter em casa para estes casos é um soro de reidratação oral, uma mistura de sódio e glicose, que facilita a entrada de água nas células e a sua manutenção." O produto é de venda livre, tem apresentações líquidas, em pó ou em gel e sabores para todos os gostos, mas há um truque: "Deve dar-se muito fresco e aos poucos. Não precisa de ser um golo a cada minuto, mas lentamente."

No caso dos bebés, o tratamento é ainda mais fácil. "Quando existe, amamentação é o soro de reidratação, igualmente para dar aos poucos", afirma a pediatra. E se apetece dormir, brincar ou outra opção, deve-se permitir.

Leonor Sassetti é clara no discurso. "As gastroenterites virais são frequentíssimas nesta altura, muitas vezes acompanhadas por febre, mas só se deve ir ao hospital se, realmente, não se conseguir interromper o ciclo de vómitos", o que não acontece logo na primeira tentativa. Os pediatras são unânimes e insistem no alerta que tantas vezes fazem: é preciso dar tempo à criança, no caso, à resposta do seu organismo.

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