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Já há gadgets tecnológicos para a ‘má cara’

Aparelhos digitais com inteligência artificial ou que fazem em casa tratamentos de salões de estética são dos produtos que mais crescem no negócio da beleza. Na crónica desta semana, a jornalista Catarina Nunes escreve sobre a democratização de um luxo, através da tecnologia

D.R.

Por uma questão de semântica é evidente que nunca se tem uma segunda oportunidade para causar uma primeira boa impressão. A quantidade de memes com esta frase, viralizados na internet, denuncia que andamos preocupados com o impacto que temos nos outros, seja pelo que somos ou parecemos.

É no domínio da aparência do rosto que a tecnologia está a posicionar-se para contornar a semântica e dar a tal segunda (ou terceira) oportunidade para impressionar, sem desesperar em frente ao espelho ou recorrer à cirurgia estética. Um luxo contido em gadgets e aplicações para telemóveis. A crescente preocupação com o aspeto da pele, aliada à evolução digital, está a tornar o desafio de acabar com rugas, borbulhas ou manchas, numa experiência tecnológica que no passado estava no imaginário da ficção científica ou na realidade de institutos de beleza caríssimos.

É precisamente na ideia de um espelho em casa ter as respostas para as ansiedades com a aparência que o HiMirror se coloca. Tem uma câmara de filmar, que obedece ao dispositivo da Amazon controlado por voz (Alexa), faz o diagnóstico do estado da pele, recomenda os produtos mais indicados e armazena os dados para construir um histórico. A Neutrogena também se posiciona na linha da frente em matéria de mapeamento inteligente da pele, com o Skin 360, aplicação para iPhone que funciona com uma mega-lente acopulada ao telefone, com o mesmo tipo de funcionalidades do HiMirror.

Escova de rosto com inteligência artificial, máscaras faciais aplicadas num minuto e meio e massagem asiática no contorno dos olhos são algumas das propostas da Foreo

Escova de rosto com inteligência artificial, máscaras faciais aplicadas num minuto e meio e massagem asiática no contorno dos olhos são algumas das propostas da Foreo

D.R.

Não há notícias de nenhum dos dois estar disponível em Portugal, mas, até lá, há duas marcas que querem tornar a melhoria da aparência da cara numa experiência que dá esperança às segundas oportunidades. A Foreo vem da Suécia e já se lançou no mercado nacional com escovas de limpeza facial com tecnologia sónica. Uma delas (a Luna Fofo) tem incorporada inteligência artificial, que vai aprendendo com a informação recolhida sobre a evolução da pele.

Com a aplicação para telemóvel utilizada (Foreo For You), a marca sueca volta-se agora para um aparelho que aplica máscaras faciais, personalizando a frequência, potência e duração da utilização, de acordo com as necessidades da pele. A tarefa é feita com luzes LED, crioterapia e vibração, num tratamento que demora um minuto e meio a ser concluído. O UFO (denominação do aparelho) não voa, como pode remeter a tradução para Objeto Voador Não Identificado, mas está sinalizado como uma promessa para acabar com o martírio do tempo de espera das máscaras faciais.

Como uma boa impressão pode ser causada com um simples olhar, estas soluções suecas são complementadas com um massajador do contorno dos olhos, para dizer adeus aos papos, olheiras e rugas. Inspirada nas massagens asiáticas feitas com dois dedos, o Iris faz o seu papel em 30 segundos em cada olho. A rapidez, conforto e personalização são os aspetos valorizados por quem procura ter em casa o mesmo nível de sofisticação e resultados que existem nos institutos de tratamentos profissionais. Uma tendência que torna estes aparelhos, que analisam e tratam a pele com mais precisão do que um dermatologista, nos maiores e crescentes concorrentes de spas e salões de beleza.

Em 2023, o mercado global de dispositivos de beleza deverá chegar aos 97 mil milhões de dólares (€85,5 milhões), de acordo com os dados da P&S Market Research. Nesta explosão do negócio encontra-se não só a vontade e dinheiro disponível para gastar, como o desenvolvimento tecnológico que permite criar aparelhos domésticos, de pequena dimensão e utilização simples, a um preço mais baixo. Uma combinação que democratiza estes cuidados, que em tempos foram um luxo reservado apenas aos salões de beleza.

O My CLE é a versão doméstica da máquina usada nos gabinetes de estética da Carita

O My CLE é a versão doméstica da máquina usada nos gabinetes de estética da Carita

D.R.

A Carita Paris começou o seu caminho num cabeleireiro, em 1945, com as irmãs Maria e Rosy Carita, mas foi nas mãos do grupo francês L’Oréal, o novo dono desde 2014, que a marca deu o salto para a beleza tecnológica em casa. Pegando no legado das duas irmãs, que desenvolveram nos anos 60 uma máquina de tratamento para uso em gabinetes de estética (com micro-correntes, luzes Led e ultra-sons), foi desenvolvida uma versão para uso doméstico: o My CLE (acrónimo de Cinetic Lift Expert). À distância de esticar o braço para o tirar do armário, e em quatro minutos de utilização, está a promessa de fibras musculares e atividade celular estimuladas.

O único senão do My CLE em relação à Foreo é não fazer o diagnóstico da pele, função que fica entregue à conselheira de beleza no ponto de venda do equipamento, que indica também os séruns Carita mais adequados a cada problema a atacar. A utilização do My CLE no corpo é possível e em alguns modelos da Foreo também. Mas vamos por partes e comecemos pelo nosso principal cartão-de-visita, o rosto, e perguntemos: “Espelho meu, espelho meu, há alguém mais tecnológico do que eu?”.

Beleza inteligente:

Foreo: Fofo €89 (exclusivo Sephora), UFO €279 e Iris €139 (Sephora e a Douglas)

Carita: My CLE €390 (Perfumes&Companhia)

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