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Serviço Nacional de Saúde desfocado do cidadão

A discussão da nova Lei de Bases da Saúde afasta cada português do centro do Serviço Nacional de Saúde. Governo e partidos na Assembleia da República substituíram o cidadão no foco da prestação de cuidados pela ideologia. Não há ninguém capaz de um ralhete? O SNS não é da esquerda nem da direita: é de todos!

Haverá algum português que saiba quais vão ser os cuidados de saúde a que terá acesso no Serviço Nacional de Saúde (SNS) depois de aprovada a nova Lei de Bases? Provavelmente não, incluindo os mais atentos e, neste caso, o argumento da elevada iliteracia em saúde no país não serve de explicação. A culpa está na classe política, tanto na que governa como na que lhe faz oposição. Ao invés de procurarem um consenso e servir quem os elegeu, deixando aos portugueses uma matriz capaz de manter vivo o SNS, procuram agradar a quem politicamente lhe interessa. E no caso concreto do Governo, acha-se até no direito de fazer birra, impedindo outros políticos de participarem, porque da última vez em que o SNS foi a jogo optaram por ficar no banco, votando contra.

Por muito importante que seja a disputa política (embora talvez só para os políticos), em assuntos que devem unir todos os portugueses não devem existir cores partidárias, exceto se estiverem todas num arco-íris. As decisões sobre o que vai ser o futuro do SNS têm de ser de todos porque vão ser e servir todos. A prudência é boa conselheira e ouvir o maior número de opiniões, recolher uma grande variedade de contributos, reconhecer quem tem olhares visionários ou promover a discussão do que ainda carece de consenso é, como é por todos reconhecido em saúde, o tratamento capaz de garantir, pelo menos, o melhor prognóstico.

Deixar aos portugueses um SNS capaz de continuar a dar resposta a quem precisa, acompanhando a evolução tecnológica - seja em dispositivos ou em medicamentos - não pode ser um exercício de política, sobretudo quando o Governo em funções está quase a ir a votos para, assim o deseja, mais quatro anos de governação. Tem de ser um ato a pensar no cidadão. Quem está doente e tem de ser tratado no SNS, pelo menos como até aqui universal e tendencialmente gratuito, não quer saber se foram os deputados deste ou daquele partido que votaram, se a ideologia dominante é de esquerda ou de direita, se o articulado foi o original ou uma versão com contributos múltiplos, se o hospital é gerido por A ou B. Quer sim e apenas ter o melhor tratamento. A quem dói o corpo não sobra tempo para dores de alma.

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