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Luta de galos ou feira de vaidades? Uma opinião sobre a maior feira de tecnologia do mundo

Afinal, o que fica verdadeiramente da CES deste ano? Por esta altura, os interessados a sério já leram o principal, mas eu ainda tenho umas curiosidades para mostrar na crónica “Futuro Hoje”. Para a história, o que é que fica? Daqui a uns anos vamos dizer de 2019 que foi aquele ano em que…

Nada de especial, para ser sincero. Para mim até fica como a primeira vez que bebi água extraída do ar, como a primeira vez em que de facto fiz um festa no Aibo, o cão de três mil dólares da Sony que até agora me tinha escapado, em que fiquei verde de inveja de uns auscultadores com cancelamento de ruído, coisa em que não acreditava, em que vi um interruptor de parede que escuta e dá respostas, mas revoluções não vi nenhuma.

Os assistentes pessoais tentam conquistar terreno mais pela quantidade de aparelhos a que se ligam do que por melhorias na qualidade. As redes 5G ainda estão numa fase de muita indefinição, apesar de todos os testes que os operadores vão fazendo para tentar mostrar prontidão. Os carros inteligentes parecem estar numa fase de aprendizagem profunda. Vamos chegar lá, mas são necessários muitos milhões de quilómetros a recolher dados de situações esperadas e inesperadas para que as máquinas possam aprender com eles. Neste e noutros aspectos a CES pode não ter mostrado nada de revolucionário, mas isso não é forçosamente mau porque a mudança está em curso, faz-se ao seu ritmo, que é rápido mas não é o das feiras. Os que fazem a mudança vão marcando terreno, mostram o que têm e o que não têm, levantam a crista e avaliam o adversário.

A máquina da moda - um DJI Osmo Pocket, à venda desde o Natal

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Não são só as empresas. Interessante ver a força com que a França aqui veio. Notava-se nas zonas das grandes empresas, mas notava-se muito mais no chamado Parque Eureka, zona reservada a startups e universidades. Os franceses criaram uma marca, La French Tech, que tem sempre presença na CES e apoia algumas empresas, a par das regiões que fazem o mesmo. Este ano conseguiram convencer nove das 11 regiões presentes a vir sob o chapéu da LA French Tech. Ao entrar no Parque Eureka, dir-se-ia que estávamos perante uma invasão gaulesa, tal era a forma como se impunha a mancha de pequenas empresas que ostentava o galo vermelho que simboliza esta união.

É sempre bonito ver o esforço dos israelitas e dos holandeses, entre outros, que conseguem com estas agências de promoção ter uma presença significativa e que, a julgar pelo movimento, deve dar frutos - o mesmo poderia dizer das universidades chinesas e sul coreanas com presenças muito significativas.

Portugal, tanto quanto consegui perceber, passou de uma presença muitíssimo pequena, mesmo para a nossa escala, para o que poderia chamar de residual. Alguma presença em parcerias (na Bosch estavam duas empresas portuguesas) e a Displax, do grupo Edigma, que veio anunciar um grande acordo de desenvolvimento com um gigante americano para o que dizem ser o futuro do touchscreens. Pela história que têm, vale a pena estar atento.

A CES deste ano, mais do que um ano de passagem, pois vem aí muita coisa, parecia uma luta de galos ou uma feira de vaidades. Um marcar de território, mais do que apresentar novidades.

Sempre concorridos, os drones

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D.R.

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