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Telefone de fato e gravata, Samsung Note 9

Na crónica de “Futuro Extra”, semanalmente no Vida Extra, o editor de novas tecnologias da SIC fala sobre o Samsung Note 9

Notas dos dias que usei o Samsung Galaxy Note 9. Ao contrário de outras marcas a Samsung tem uma clara diferença entre os seus topos de gama S e os Note. É notória a diferença de design, por regra mais arrojado nos S e mais clássico no Note, e o Note é o telemóvel de fato e gravata. Grande, e até menos fino do que se esperaria, parece pedir um bolso de casaco, e tem a caneta, não sendo eu grande utilizador, entendo a sua função. Para já, é simpático para quem gosta de desenhar, fazer esquemas em qualquer canto de papel. Tem aqui uma forma prática de guardar os seus pensamentos, este Note 9 até aceita guardar desenhos feitos diretamente no ecrã sem “abrir” o telemóvel. Depois a caneta serve também como os chamados brinquedos de executivo, ajuda a manter as mãos ocupadas enquanto nos empenhamos em pensamentos, ou enquanto tiramos uns minutos zen para não pensar e preferimos dar o ar de que estamos a delinear estratégias profundas. Para tudo isto a caneta já servia, agora serve para chamar a atenção (o amarelo é mesmo vistoso) e também para tirar fotografias. Isso mesmo, a caneta ganhou a capacidade de fazer de controlo remoto para o telefone. É possível colocar o Note a uma distância considerável e dar ordem para filmar ou fotografar com cliques na caneta. Não sei se será muito usado para tirar fotografias, será de certeza muito mostrado aos amigos e colegas invejosos da nova máquina. Podemos também mudar a faixa de música, penso que para quem gosta deste acessório o Note deve ser a única alternativa que resta no mercado.

Para quem quer ter um telefone inconfundível, pelo menos se usar a caneta

Para quem quer ter um telefone inconfundível, pelo menos se usar a caneta

O Note 9 além da tradicional impressão digital tem também identificação facial, ainda falha com alguma facilidade dependendo das condições de luz. No caso, usa um conjunto de ferramentas que juntam leitura facial com reconhecimento da retina, mas não se deixe enganar pelas palavras caras, continua a não ser um método aceite por aplicações bancárias porque não é suficientemente seguro. No Note, se quer ir ao banco, ainda usa a velha impressão digital. E se usar a retina rapidamente se vai cansar de alinhar o telefone com a cara até acertar.

Pelo contrário, a Samsung conseguiu ser a primeira empresa de telemóveis a ser certificada em Portugal pelo Gabinete Nacional de Segurança no caso para produtos com funcionalidades de voz segura. Não sou especialista em segurança, e muito menos tenho os conhecimentos técnicos para avaliar pessoalmente, mas a verdade é que os sistema Knox de segurança para dados sensíveis tem recebido elogios e certificações em vários países. Uma combinação de hardware e software dedicada à segurança, o Knox é, sobretudo, apreciado em empresas e instituições que lidam com dados sensíveis, e que saberão melhor do que eu avaliar as qualidades do sistema para salvaguardar os seus segredos.

Nas fotos, não há dúvidas, é uma grande máquina fotográfica. Quem o comprar vai gostar. Tem o que penso ser o único sistema de câmara de telefone que de facto muda o diafragma (apenas em duas posições e que já vem do S9) como as máquinas analógicas. Com uma peça física que, de facto, muda de posição para deixar entrar mais ou menos luz.

Tende talvez, e a tendência é de várias marcas, a exagerar no uso da dita inteligência artificial para “melhorar” as nossas fotografias, lendo o que estamos a fotografar. Ou seja, tem modos específicos que usa se deteta animais, ou flores, ou comida… nem sempre gosto do resultado, mas é fascinante da primeira vez que o Samsung nos chama a atenção que a foto que tirámos pode estar tremida, ou que talvez alguém tenha fechado os olhos na imagem de grupo.

É uma das melhores máquinas fotográficas de telemóvel mas não é a mais forte em retrato

É uma das melhores máquinas fotográficas de telemóvel mas não é a mais forte em retrato

Um dos melhores ecrãs do mercado, sem dúvida, mas, por defeito, não vem com a resolução máxima. É estranho anunciar uma resolução Quad HD+ que na prática não se recomenda porque vai puxar demasiado pelo telefone e pela sua bateria. Se não mudar deliberadamente as definições, vai sempre usar em Full HD+ na nomenclatura da Samsung. Se mudar, vai receber um aviso para não ficar assim muito tempo. A bateria é gigante mas o aparelho consome tanto que a faz parecer apenas uma boa bateria sem nada de excepcional.

Para os mais conservadores é um dos poucos modelos que ainda escapa ao “notch”, ao altinho preto no cimo do ecrã que quase se tornou regra, e é um dos poucos que ainda tem ligação de jack tradicional para auscultadores. Mesmo assim já vem com carregamento sem fios, uma daquelas coisas que continuo a achar sobre valorizadas.

Parece uma pequena televisão de alta resolução com um som que podemos considerar bom para telemóvel embora, se estiver a ver um vídeo, eu prefira sempre usar auscultadores, que no caso são uma agradável surpresa. São iguais aos dos S9, e só os usei com este, mas surpreenderam-me mesmo muito, fiquei com vontade de bater palmas, coisa rara em auscultadores que vêm na caixa original.

Além de medir a pulsação, tem a curiosidade de medir a quantidade de oxigénio no sangue, para quem precisa, e nunca sabemos quando podemos precisar, não estou a brincar já vi acontecer. Não percebi bem quais os parâmetros usados, mas o Note 9 dá indicação do nível de stress em que se encontra o utilizador, se estiver irritado é sempre bom ter um telemóvel para o avisar. Agora estou a brincar.

O slow motion igual ao do S9 é espetacular, 920 frames por segundo, mas só pode ser usado, no máximo, por 2 segundos, dá para captar o momento essencial se souber fazer a coisa.

Infelizmente a Samsung quer mesmo muito acreditar no seu mordomo virtual Bixby, de tal forma que colocou um botão dedicado para o acordar. É uma pena, porque a maioria dos utilizadores vai mesmo optar por usar o da Google e o botão só vai servir para nos recordar acidentalmente que o Bixby continua lá.

Já disse que parece haver uma corrida para ver quem consegue os telemóveis mais caros, e a Samsung colocou-se bem na linha da frente com a versão de 128 Gb a passar ligeiramente os 1000€ e a versão que pode armazenar 512 Gb e tem 8Gb de Ram a custar quase 1300€. Comprando um cartão de memória dos grandes (512 Gb) pode ficar com um telemóvel com 1 Tera de armazenamento, algo francamente excessivo num tempo em que usamos cada vez mais a cloud para armazenar fotos e vídeos e ter as recordações sempre à mão. É muito mais memória do que a que vem em boa parte dos computadores portáteis.

Um grande telefone sem dúvida, que experimentei ao mesmo tempo que um tablet da marca. Sobre este Tab 4, não me vou alongar. Só uma nota final para dizer que a minha expectativa era sobretudo quanto ao uso do teclado português, algo que é difícil de encontrar em condições. Não me convenceu, o tablet não está à altura da fama que a marca justamente ganhou com os telefones, e então o teclado português deixa mesmo muito a desejar, quer na construção, quer até na colocação das teclas específicas. Não estão nos locais habituais, para isso bem posso usar um teclado americano de qualidade e resignar-me a pensar duas vezes cada vez que quero colocar um acento. Se quero um teclado português é para só ter que pensar duas vezes no conteúdo, não nas teclas com que o passo à escrita.


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