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Mula Bandha, a técnica de yoga que estimula sexualmente e mantém o equilíbrio hormonal

“Começamos por contrair a musculatura dos esfíncteres do ânus e da uretra, elevando seguidamente todo o assoalho pélvico.” Parece difícil, mas todos podem fazer. Esta é a nova entrada da coluna sobre bem-estar de Cristina Diniz no Vida Extra, sempre à quarta-feira

Patrick Hendry

No yoga temos ao nosso dispor várias técnicas para melhorar quer a condição física, quer a mental e emocional. Basta às vezes termos consciência do nosso corpo e ir aprendendo como o trabalhar. Por isso, hoje abordaremos uma técnica ao alcance de todos: Mula Bandha ou a técnica de elevação e ativação do assoalho pélvico.

Mula significa raiz, selo, fundação, origem e bandha significa selo. Recebe este nome pois fica na base da coluna espinal. A sua localização é diferente nos homens e nas mulheres - no homem fica na musculatura do períneo, localizada frente ao ânus e atrás dos genitais. Nas mulheres a localização é próxima da parte superior do colo do útero.

Como fazer mula bandha? Começamos por contrair a musculatura dos esfíncteres do ânus e da uretra, elevando seguidamente todo o assoalho pélvico em direção ao plexo solar. A área abdominal inferior entre o ânus e o umbigo é contraída, empurrada para a coluna espinal e elevada em direção ao diafragma.

É uma técnica usada nas práticas de yoga e insistentemente praticada no yoga na gravidez, como tal, será abordada uma versão ligada mais à anatomia feminina.

O assoalho pélvico é formado principalmente pelo diafragma pélvico, que é fechado pelo diafragma urogenital. O diafragma pélvico consiste em fáscias, músculos e faixas de músculo perineal de reforço. O diafragma urogenital é uma camada mais externa do períneo formada pelos músculos ísquiocavernoso, bulbocavernoso, transverso superficial do períneo e esfíncter externo do ânus, genitália, vulva, monte público, lábios maiores e menores, clítoris, bulbo, vestibular, glândulas vestibulares maiores, uretra e parte inferior da vagina.

Os músculos do assoalho pélvico, entre outras funções, sustentam os órgãos pélvicos, mantêm as continências fecal e urinária e permitem as atividades sexuais e reprodutivas.

Benefícios de fazer Mula Bandha

A prática estimula sexualmente, pois provoca grande irrigação e ativação sanguínea na zona pélvica, retarda o orgasmo, mantém o equilíbrio hormonal, estimula o metabolismo dos órgãos internos, permite a tonificação da musculatura após o parto e previne a incontinência urinária e das fezes.

Se a contração da musculatura dos esfíncteres do ânus e da uretra for ritmada, em vez de mantida / fixa, a técnica recebe o nome de asvini mudrá. Asvini significa égua em sânscrito e a técnica recebe este nome pois os yoguis de tempos idos, em profunda conexão com a natureza, ao observarem os animais em seu redor, repararam que as éguas faziam esta contração ritmada após urinarem. Esta é, na verdade, uma técnica mais fácil de conquistar do que mula bandha.

Se considerarmos o corpo subtil, mula bandha faz parte de uma série de portas ou válvulas de energia, sendo as outras duas Uddiyana Bandha e Jalandhara Bandha.

Os bandhas são como selos ou válvulas que regulam o fluxo de energia vital (prana) no nosso organismo. Ao serem ativados fazem com que a energia se espalhe por canais de energia denominados nadis, que correspondem aos meridianos na medicina tradicional chinesa. Essa energia vital que possuímos pode assim ser assimilada ao nível celular sem se dissipar.

Nas práticas de yoga, ativar Mula Bandha significa quase automaticamente ativar Uddiyana Bandha e isso permite-nos também estar mais focados e com os sentidos e pensamentos menos dispersos.

Tendo esta partilha em consideração, agora é praticar e implementar no nosso yoga, e ter sempre presente que as grávidas deverão exercitá-lo diariamente e várias vezes ao dia, dentro e fora da sala de yoga.

Boas práticas!

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