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Sentiu um efeito adverso a um medicamento? Queixe-se

Tomar um remédio deve ser sempre uma forma de aliviar ou tratar quando não se está bem, mas às vezes corre mal. Reações negativas podem acontecer e apesar de estarem descritas não devem ser toleradas com normalidade, devendo ser comunicadas ao médico e ao próprio Infarmed. Sem a reação da comunidade, já com o fármaco em ambiente real, é mais difícil manter a vigilância e melhorar a segurança da própria terapêutica

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Nada é totalmente seguro. Esta é uma verdade unânime e que em medicina é especialmente importante porque, por vezes, o que é suposto fazer bem acaba por fazer mal. Um exemplo comum são os efeitos adversos dos medicamentos. Embora sendo altamente seguros, caso contrário não chegariam ao mercado, os fármacos podem ter efeitos negativos. Ora mesmo estando detalhadamente descritas nas respetivas bulas, que poucos leem para não desistirem logo do tratamento ou mimetizarem os efeitos descritos, as reações secundárias devem ser comunicadas. O médico e a própria autoridade nacional do sector, o Infarmed, devem saber o que aconteceu.

A partilha da informação sobre os efeitos menos positivos dos medicamentos - que pode ser feita de forma rápida através da página do Infarmed na internet - é um contributo fundamental para que continuem a ser seguros. É precisamente com esse objetivo que 32 agências reguladoras em todo o mundo dedicam esta semana à segurança dos medicamentos, pedindo especial atenção aos efeitos adversos em crianças, grávidas e durante a amamentação. “Os efeitos adversos podem variar desde uma dor de cabeça ou estômago, a sintomas semelhantes aos da gripe, ou apenas ‘sentir-se um pouco…’”, explicam os responsáveis do Infarmed.

Diz o Infarmed que “as agências reguladoras de medicamentos contam com a notificação de suspeitas de efeitos adversos, de forma a garantir que os medicamentos que se encontram no mercado mantém uma relação positiva entre segurança e eficácia”. Mas, “infelizmente, todos os sistemas de relatórios sofrem de subnotificação – daí a importância desta campanha, para consciencializar e ajudar a fortalecer o sistema”, acrescenta.

Na Europa funciona um sistema de farmacovigilância robusto e atento que atua de imediato perante as situações suspeitas, emitindo alertas quando é necessário. É uma rede construída a partir das agências de cada país para assegurar que nada escapa à malha da vigilância, e esta interligação é um reforço vital para a segurança. Por exemplo, recentemente Espanha emitiu um alerta sobre o mais temível efeito adverso de um fármaco, a morte do doente. Apesar da extrema gravidade, não teve eco fora das suas fronteiras.

O caso aconteceu com o medicamento metamizol (Nolotil), que aparentemente terá provocado a morte de dez turistas britânicos idosos. O analgésico é um dos mais utilizados no país vizinho, mas mesmo assim a agência espanhola só decidiu proibir a venda a turistas, mantendo o normal acesso à população. Em causa está o facto de o fármaco estar há anos no mercado sem nenhum histórico semelhante. Os peritos espanhóis admitem que terão sido variáveis dos próprios doentes a contribuir para o desfecho fatal.

Terá sido pelas mesmas razões, que desde a tragédia estão sob detalhada análise internacional, que nem as autoridades europeias nem o Infarmed fizeram qualquer alerta sobre o analgésico. A precaução diz que não se deve tomar a parte pelo todo e em Portugal o Nolotil é dispensado há quase 40 anos e nunca foi notificada uma reação grave, muito menos fatal.

Os peritos estão atentos e é garantido que assim que surja uma suspeita, mesmo remota, será comunicada e partilhada. Já esta semana, os responsáveis pedem que seja população a comunicar, mesmo que a suspeita de reação adversa ao fármaco que tomaram pareça não ter importância. O importante é que não se cumpra o provérbio “quem não morre da doença, morre decerto da cura”.

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