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Pai Panda revolta-se contra os trabalhos manuais. O resultado é imprevisível

O “Diário de um Pai Solteiro”, às segundas-feiras na Vida Extra, fala-nos esta semana sobre trabalhos manuais em família

Taru Huhkio

Quando vou buscar a Panda à escola numa sexta feira o meu maior medo é ter de fazer um trabalho de casa para o fim de semana. A Panda tem cinco anos. Em vez de problemas de matemática, composições ou questionários de biologia, o que temos para fazer são coisas como apanhar folhas podres de outono e colar numa folha A4, decorar um pijama para o dia do pijama em que as crianças vão para a escola de pijama (!?), um pai natal de rolos de papel higiénico ou um desenho alusivo a qualquer coisa ecológica.

Podíamos jogar zombies 2 no tablet, fazer um dinossauro de lego ou ver um episódio de Titio Avô, mas não. O Sistema Educativo acha positivo para o nosso desenvolvimento pessoal que façamos trabalhos manuais que me lembram material para filmes de animação checos dos programas do Vasco Granja.

É que a Pata Hidrofóbica é óptima nessas coisas. Ela adora. É daquelas mães que considera que uma das vantagens de ser mãe é poder competir com esmero nos trabalhos manuais dos filhos e que acaba por fazer tudo ela própria, com a língua de fora, com a tesourinha.

Coitada da Panda quando lhe calha um trabalho comigo. Ficamos os dois a olhar para a folha em branco “a decorar com coisas que lembrem o natal na família” e que no fim vai levar umas pinceladas de cola e os restos de umas fitas brilhantes de árvore de natal esfareladas nas minhas mãos. A última missão era decorar um prato de papel com fotografias da família, já não me lembro porquê.

Peguei numa folha com dúzias de mini fotos tipo passe da Panda que tirei numa daquelas cabines do metro para fazermos o cartão de sócia do Benfica, recortei todas e fiz um smiley com as caras dela no centro do prato. A Panda já tem espírito crítico e disse “mas isso sou só eu, não tem fotos de mais ninguém” ao que eu respondi: “mas Panda, tu tens um pouco de todos nós da nossa família, é as nossa filha, sobrinha, neta, bisneta… representas a família toda”.

Depois no fim do ano os miúdos levam o dossier com os trabalhos que fizeram para casa e não é muito fácil ficarmos nós com ele e escondermos, porque a Pata Hidrofóbica sabe quando fui eu a ficar ele. Ao folhear o da Panda é fácil estabelecer uma cronologia da casa em que ela estava quando aquilo foi feito.

Se são conchas do mar pintadas embutidas numa superfície de argila azul com miniaturas de marinheiros e barcos num trabalho alusivo ao tema “o mar”, não fui eu. Se é uma bola amarela a lápis de cera com uma mancha azul por baixo e outra mancha amarela ao lado da azul com O MEU VERÃO escrito por cima a letras tortas numa Bic normal, se calhar fui eu.

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