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O valor da ‘desvalorizada’ indústria farmacêutica

Sempre olhados com desconfiança pela crença de que procuram desmesurados lucros, os laboratórios têm tido um papel decisivo na evolução da Saúde que grande parte da população não reconhece. É certo que fazem-se pagar pelo que produzem, mas também é verdade que em muitos casos mudam a vida de quem está doente, e para esses a saúde deixa de ter preço

Se perguntarmos a um doente quanto valem os medicamentos que toma, certamente a resposta será de que valem muito. Mas quanto? A indústria quis sabê-lo e tornou o valor mensurável, num estudo divulgado na semana passada pela Apifarma. Desde 1990, as criações dos laboratórios acrescentaram dois milhões de anos de vida saudável em Portugal e evitaram 110 mil mortes em apenas uma década.

Com os medicamentos produzidos, foi possível, desde logo, melhorar a qualidade de vida de quem adoeceu e dos cuidadores. Por exemplo, conseguindo fármacos com menos efeitos secundários ou opções terapêuticas mais cómodas. A evolução no tratamento do cancro é emblemática. Hoje é possível fazer quimioterapia sem perder o cabelo ou viver com uma náusea constante.

E com uma população capaz de trabalhar, há também ganhos económicos. Segundo o estudo, os tratamentos mais recentes permitiram aumentar a produtividade, assegurando 260 milhões de euros de rendimento anual adicional às famílias. Já o sistema de Saúde, com menores taxas de hospitalização e com a prevenção de outros custos diretos, consegue poupanças anuais superiores a 560 milhões de euros.

Os números são elevados, os benefícios também, mas para chegar aqui paga-se um preço, por vezes excessivo. É esta a ideia que permanece como imagem das farmacêuticas, embora o mundo tenha mudado. Já só se paga a inovação que, de facto, faz efeito. Tem sido assim com os novos fármacos mais dispendiosos e a regra tenderá a ficar. No entanto, uma coisa é certa e imutável: tudo continuará a ter um custo, mesmo que a saúde não tenha preço.

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