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Serralves explora o universo artístico da realidade virtual

O museu de arte contemporânea da Invicta recebe, a partir deste sábado, a exposição “Electric”. Entre as obras de realidade virtual, destaque para as criações imersivas de Anish Kapoor e Olafur Eliasson

Kilito Chan / Getty Images

“Estou no meio de uma floresta. O sol é vermelho. Ouço o soprar do vento, como naqueles filmes de terror. Uuuuh… Alguma coisa vai acontecer! Há poeira à minha volta e as árvores abanam muito. Ui! Agora ficou tudo escuro”.

O relato é feito ao Vida Extra por Joana Ascensão. “Ei lá!... Ai, que nojo! Parece que estou dentro das vísceras de alguém. Não, não, também pode ser um vulcão. É lava, é lava! Estou a descer, a descer… Não sei para onde estou a descer. Hey, estou no Espaço! Estão a passar cometas ou meteoros, não sei bem, ao meu lado”, conta a jornalista de 25 anos, uma das participantes da visita guiada para a comunicação social à exposição “Electric - A Virtual Reality Exhibition”, patente no Museu de Arte Contemporânea de Serralves a partir deste sábado e que pode ser vista até 24 de maio.

Embora não consiga perceber totalmente o que se está a passar à frente dos seus olhos — tapados pelos óculos de realidade virtual —, Joana viaja sentada numa cadeira pelo universo concebido pelo artista indiano-britânico Anish Kapoor, um dos vários nomes que integram esta mostra coletiva de arte imersiva, juntamente com Olafur Eliasson, Rebecca H. Quaytman, Nathalie Djurberg & Hans Berg e Städelschule Architecture Class.

“O fundo é negro e há uma circunferência de onde cai chuva. Estou agora, de repente, a ser levada para dentro do círculo. A chuva tem as cores do arco-íris”. É esta a descrição pintada pelas palavras de Joana a propósito da obra virtualmente criada pelo islandês Olafur Eliasson, artista que atualmente tem o seu trabalho exposto no Museu e no Parque da Fundação de Serralves.

Trata-se da primeira vez que a exposição “Eletric”, comissariada pelo curador Daniel Birnbaum, é apresentada num espaço museológico, depois de ter sido inaugurada, em maio de 2019, na Frieze de Nova Iorque.

“Provavelmente estamos nos primeiros segundos ou semanas de uma nova era e não sabemos onde isso nos levará. Quando algo novo chega, há sempre uma janela de experimentação e também alguma confusão”, salientou esta sexta-feira, em declarações aos jornalistas, o crítico de arte sueco de 56 anos, diretor artístico da Acute Art, entidade responsável pela organização desta exposição, estendida também ao Parque de Serralves, onde o público poderá ver a obra de realidade aumentada criada por Koo Jeong A.

Já Ricardo Nicolau, adjunto da direção de Serralves, também presente durante a apresentação à imprensa, frisou que “estamos, sem sombra de dúvida, perante a exposição mais minimalista que Serralves já apresentou”.

Por sua vez, a presidente do conselho de administração da fundação, Ana Pinho, destacou o modo como “a tecnologia permite que a arte entre também por outros caminhos e que a criatividade dos artistas possa ser usada para outro tipo de obras”.